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Filmes esquisitos

Nós gostamos mesmo é do escurinho.


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30 Julho

As Testemunhas da Sétima Arte

Graças à gentil cortesia de um vizinho de sala aqui na fiRma, vimos recebendo já há algum tempo os boletins semanais do site Filme B, especializado em estatísticas de bilheteria para o pessoal da indústria. Além dos números impressionantes referentes aos blockbusters americanos (o terceiro Harry Potter, por exemplo, respondeu por 50% do público pagante em todo o Brasil no fim de semana de estréia), o boletim acompanha também o desempenho dos filmes brasileiros e dos chamados “de arte”, com resultados sempre curiosos: “Cazuza”, que é aquilo que se sabe, já é a nona bilheteria do ano, perdendo apenas para transatlânticos como “Tróia”, “Senhor dos Anéis 3” e “Homem Aranha 2”. Na outra ponta, “Passion”, o filme de Godard de 1982 que estreou no Brasil somente na semana passada, teve um público de 416 testemunhas nos três primeiros dias de exibição (para uma comparação estapafúrdia, “Homem Aranha 2”, em cartaz já há quatro semanas, teve 390 mil espectadores nos mesmos dias). Lôco, né?
16:41:56 - Zeno -

Fahrenheit 9/11 (parte III)

Taí, Queridos !...Como diria Pasolini, deleitem-se, com tanta merda !!!...
Fiz este pequeno clipping inicial, sobre a estréia (hoje, sexta) de ''Fahrenheit 9/11''. Aí tem todos os bostinhas misturados ! ...De jornais e revistas.
Não tive saco de sair re-procurando cada página e autor, na Net, para poder indicar de quem é cada trecho que depois selecionei, etc, etc, ok ?!... Não vale o esforço. Nem eles merecem tanto correção e rigor, que aliás não têm...!

Mais importante é vcs sentirem este 'gostinho' geral, da nossa incrível ''intelligentsia'' crítico/midiática em ação, com seus critérios tão justos e cuidadosos...!

Não adianta: Se um cara não descobrir também a cura do câncer e da aids, não lançar uma coleção de moda incrível e não sanear a dívida externa do terceiro mundo, então o filme dele 'deixa a desejar'! ...Ah, e também tem que dizer absolutamente TUDO que existe sobre cada assunto, senão é porque é omisso, tendencioso, incompleto! Difícil julgar em que proporção é burrice, má-fé, desinformação, cegueira estética, má formação acadêmica, pressa, inveja, birra!... É a melhor ilustração possível daquela notável passagem em Mateus, 23: "Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Guias cegos, que filtrais um mosquito... mas engolis um camelo!"

É inacreditável. Nenhuma menção positiva sequer a direção, edição e ritmo. Logo aqui, onde até reportagem sobre skate, esporte radical e "adrenalina", demora mais pra se articular que véio em reunião de condomínio, pedindo corrimão novo!

É isto.
ESCREVAM !
Mil beijos e amor,
C.F.

( ... )
''Moore recapitula, com acervo de imagens (e muita edição), o histórico de George W. Bush, suas empresas e as supostas ligações comerciais da família Bush com os Bin Laden e a monarquia saudita. Não menciona, porém, aspectos marcantes do presidente, como o alcoolismo ou sua relação distante com as filhas gêmeas.''

''O filme enfoca o que seria certa desfaçatez e suposta manipulação no governo Bush, em relação à população dos EUA, e até a uma 'mídia cooptada'.''

''Assim como em "Tiros em Columbine", "Fahrenheit" usa de emoções baratas (caso da mãe às lágrimas em frente à Casa Branca) e constrangimentos inócuos, como abordar congressistas na rua, sugerindo que eles enviem seus filhos para a guerra. Moore explica que apenas um deles havia feito isso, mas não diz qual.''

''Um ponto positivo do longa, ao menos, é sua trilha sonora, cujas músicas são aplicadas com certa ironia, como "Shiny Happy People", do REM, quando Bush e seus amigos estão na tela, e "Rockin' the Free World", de Neil Young, que encerra o filme.''

''De qualquer modo, "Fahrenheit 11 de Setembro" quer ser, como o próprio trailer anuncia, 'o filme mais polêmico do ano'. Pelo que mostra, ou pelo que omite.''

''As imagens do Iraque antes da guerra só apresentam o país como se fosse um refúgio de paz e tranqüilidade. Mas sabemos que a realidade era muito diferente.''

'' Moore talvez seja um mal necessário. Dito isso, pode-se discutir as qualidades do filme. São poucas. É tendencioso, parcial e mesmo mentiroso em algumas partes. Mesmo como libelo, há falhas. Uma delas é o excesso de apelação. Outra é o extremo reacionarismo do próprio Moore, disfarçado de "boa causa". Belicista, ele apóia "nossos garotos" no Iraque. Chauvinista, demoniza os sauditas (demonização que a legendagem brasileira corrobora sem querer, ao errar na tradução e chamar todos simplesmente de 'árabes').''

( !!!?!!... )


Enviado por email pelo C.F., amigo aqui da Ai!, de voz literalmente emocionante e que, ao que tudo indica, também acha que a voz do bom senso não tem graça, nem ritmo, nem samba no pé.
14:37:06 - Sorel -

El fondo del mar (2003)

Um dos divertimentos de um brógui é a possibilidade de furar a imprensa estabelecida naquelas coisas que não têm a menor importância, como por exemplo o cinema. Um dos incontáveis festivais de cinema que procriam no Brasil nos últimos anos concedeu, na semana passada, o prêmio de melhor roteiro pro filme argentino El fondo del mar, de Damián Szifron. Como o filme ainda não estreou por aqui e como o nosso ex-correspondente em Buenos Aires conferiu la película in loco, podemos arrogantemente decretar: prêmio pro roteiro? Olha, não é pra tanto, hein? Ainda mais que é justamente o roteiro o responsável pela desorientação do filme, que vai prum lado, pro outro, vira à esquerda na Corrientes e termina na Patagônia, numa aula de mergulho que é a única seqüência do filme que merece um segundo olhar mais atento. Mas é somente a opinião zás-trás de um bróguizinho desanimado, portanto aguarde as resenhas da imprensa acima citada.
13:05:16 - Zeno -

Fahrenheit 9/11 (parte II)

É duro assistir a um filme que desrespeita tantas vezes sua inteligência como faz Michael Moore nas gordurosas duas horas de seu documentário (aliás, uma hora a menos faria um bem danado ao filme). É duro saber que “do outro lado” a coisa é ainda pior, como não nos deixa esquecer a grosseirona Fox News. É duro admitir que, apesar da precariedade argumentativa do diretor, é melhor que existam Michaels Moores fanfarrões por aí (mas a Palma de Ouro é inadmissível). É duro querer acreditar, esquema “profissão de fé”, mesmo, que talvez, quem sabe, esperemos, etc, o documentário tenha algum peso eleitoral e destrone aquele débil mental texano do cargo. Enfim, é dura a vida de quem tem bom senso lógico, político e cinematográfico.
12:21:43 - Zeno -

Fahrenheit 9/11

Ontem, numa dessas pré-estréias no Belas Artes, eu, Zeno e pares assistimos ao magnífico Fahrenheit 9/11. Não se deixe enganar com que você vai ler e ouvir por aí e por aqui. O filme é maravilhoso. As críticas são invariavelmente fruto de direitismo de quinta ou pruridos estético-jornalístico-cinematográficos. Perde quem não entende que não é sobre estética, sobre fatos ou cinema. É sobre indignação e o que se faz com ela. Ganha quem se rende, sem medo ou razão, ao sentimento.
12:10:06 - Sorel -

20 Julho

Resenha de Quatro Palavras

Cazuza - O tempo não pára:
Coração de mãe

(para mais resenhas, créditos e explicações, veja aqui)
20:02:10 - hubbell -

17 Julho

Tudo o que o céu permite (1956)

A Ilustrada de hoje dá destaque, na seção de filmes na TV, à exibição desta obra-prima de Douglas Sirk pelo canal Telecine Classic, às 20h20. O filme, na modesta opinião do nosso bloguezinho, é das melhores coisas feitas pelo Mestre Sirk (junto com "Almas maculadas" - Tarnished angels -, que também costuma ser exibido pelo canal), e se o clichê não fosse tão surrado, um dos filmes mais lindos da história do cinema, com um uso inteligentíssimo das cores que são atribuídas a cada personagem. É tudo tão azeitado e perfeito que a horrorosa refilmagem disfarçada feita por Todd Haynes há dois anos ("Longe do paraíso") deveria pedir desculpas por existir e por ofender a nobre causa dos Defensores Inexistentes de Douglas Sirk. Mas o mote deste post é o Rock Hudson, que faz o papel principal deste "Tudo o que o céu permite". Não sabemos como andava a engrenagem de fofocas hollywoodianas da época, mas ver hoje em dia os filmes do rapaz à luz da história do homossexualismo traz sempre umas pitadas (in)voluntárias de humor. Num outro filme de Hudson, a comédia "Um favor muito especial", de 1965 (obviamente inferior ao de Sirk, mas que se garante na despretensão), ele faz o papel de um Don Juan que, para conquistar uma psiquiatra bonitona e relutante vivida por Leslie Caron, finge sofrer de um trauma psíquico causado pelo excesso de assédio feminino, o que proporciona ao filme momentos divertidos do ator mostrando seu desinteresse pelas mulheres. No filme de Sirk, há um diálogo rápido entre o jardineiro (Hudson) e a viúva (Jane Wyman) em que ele a incentiva a enfrentar a sociedade do vilarejo que se opõe à união de ambos (por ele ser mais jovem que ela e por não ter um tostão). A resposta dela é mais ou menos assim: "Eu sei o que você quer, Ron. Que eu seja forte como um homem, não é?". Como esse, há mais dois ou três diálogos ou frases de duplo sentido que fazem a delícia dos ouvidos informados de hoje, o que leva a pensar que os roteiristas da época só podiam estar de gozação com o coitado do Hudson. Ou que ele era conivente nas brincadeiras, o que é ainda melhor.
12:54:42 - Zeno -

06 Julho

duro na queda

brando era duro.
chato dos heróis modernos é eles morrerem.
cai um pouco do nível, assim.
brando era um homem.
homem era duro mas era brando, então.
sofreu suas próprias consequencias.
foi(se) um pedaço a menos da humanidade.
miséria, às vezes, é bela, se desenhada em poesia.
um brinde a brando.
02:04:50 - John Self -

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