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Je me souviens

Eu te lembro que esta seção tem como dívida explícita o “Je me souviens” de Georges Perec, o livro de Geraldo Mayrink e Fernando Moreira Salles e a série “Ich erinnere mich” publicada no Die Zeit.


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29 Agosto

Eu me lembro

Eu me lembro de ter juntado dinheiro com meu irmão para comprar em um supermercado perto de casa uma caixa especial para presente contendo um vidro de lavanda e um sabonete luxo de Seiva de Alfazema no dia das mães. Minhas irmãs mais velhas riram, mas minha mãe adorou. Quando eu tinha uns 16 anos lembro de ter me dado conta que minha mãe não deveria ter gostado, mas quando ganhei o primeiro desenho da minha filha me dei conta que ela deve ter adorado.
15:31:00 - Sorel - 1 comentário

26 Agosto

Eu me lembro

Eu me lembro – na verdade, acho que nunca esqueci – que nós carregamos ao longo dos anos não só os ossos e as carnes cansadas, mas também alguns truísmos difíceis de serem driblados, como por exemplo os tais pedaços de músicas, trechinhos de canções e pequenas linhas melódicas que vão e vem involuntariamente na cabeça por conta deste ou daquele encontro ou situação. Dois que me ocorrem de imediato, pra ilustrar: o "if theeey should ask", que o Chet Baker canta ao final de "I remember you", com o verso soando como se fosse tocado por um trompete, e não cantado, e o "but ohohoh my dear", que o Sinatra estica de leve na primeira volta do refrão de "Our love is here to stay".

Me lembrei de outro esta semana, por conta de uma gentil devolução de um CD emprestado há anos – o Voodoo Lounge, dos Stones. Na faixa 14, "Thru and thru", aquela "faixa-obrigatória-do-disco-pra-contentar-o-Keith-Richards", este vai desafinando uma baladona bonita durante dois ou três minutos até que o resto da banda entra em cena, a música aumenta de intensidade e lá pela minutagem de 3:40, 3:50 entram os backing vocals do Jagger fazendo o fundo ou a cortina da canção. Se houvesse justiça socio-musical neste mundão iníquo e lacrimal, estes dez, doze segundos de "uhuhuh" e "ahahah" mereceriam ser embalados e distribuídos em saquinhos à população num inexistente e necessário Programa Depressão Zero.
11:09:34 - Zeno - 4 comentários

23 Agosto

Eu me lembro

Eu me lembro de um sujeito que falava que não escrevia de graça e de outro que achava que ninguém iria gostar de ler o que ele escrevia. Lembro do dia em que recebi um e-mail de um leitor e me dei conta que ser lido é um remédio tão bom que a gente tem obrigação de passar pra frente.
20:28:33 - Sorel - 1 comentário

20 Agosto

Je ne me souviens pas

Nothing at all. A língua parece sort of lixa, e jogaram areia nos olhos.
Uncle Hunter sapecou uma breja choca, acendeu um camelinho e promete um post sobre os blues-dinamite de Junior Wells, secundado pelo fiel comparsa, Buddy Guy, playin´ da guitar. Bad, mean, cool.
Dos quais tenho, em minha galeria de troféus, otógrafo.
11:35:45 - hunter - Comentar

19 Agosto

Eu me lembro

Eu me lembro que era oferecida aos ávidos fãs-mirins de "Perdidos no Espaço" uma réplica bastante realística do robô, caso o felizardo infante achasse um cupom premiado, malevolamente oculto nas latas de Ovomaltine.
Tornei-me dependente físico de Ovomaltine, jamais ganhei o maldito robô, desenvolvi razoável grau de homofobia graças aos queixumes e desmunhecados temores alienígenas do Dr. Smith, e agora quero ver quem paga a conta da analista.
00:38:42 - hunter - 4 comentários

10 Agosto

Eu me lembro

Eu me lembro da pichação “‘Deus está morto’. Assinado: Nietzsche. ‘Nietzsche está morto’. Assinado: Deus”. E da parente desta: “Marx está morto, Nietzsche está morto, Freud está morto e eu mesmo não ando me sentindo muito bem ultimamente”, que podia receber algumas variações conforme a disposição fúnebre e a filiação a tal ou qual corrente: “Lênin está morto, Trótski..., Stálin..., etc.”.
07:50:00 - Zeno - 1 comentário

08 Agosto

Eu me lembro

Eu me lembro das mocinhas que vendiam Yakult de porta em porta, arrastando carrinhos de feira adaptados e recomendações expressas de "apenas uma garrafinha por dia!". Menos, suponho, por conta de possíveis desarranjos intestinais e mais por rombos nos apertados orçamentos domésticos de então.
20:41:00 - Zeno - 5 comentários

04 Agosto

O tom de um outro Zé

Eu me lembro que o Edifício Itália, alto, majestoso e belo, era o rei da avenida Ipiranga... até que um dia apareceu o prédio do Hilton Hotel.

Me lembro também que, entre a Augusta e a Angélica, eu encontrei a Consolação, que veio olhar por mim e me deu a mão.
15:42:43 - Pinto - Comentar

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