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Je me souviens

Eu te lembro que esta seção tem como dívida explícita o “Je me souviens” de Georges Perec, o livro de Geraldo Mayrink e Fernando Moreira Salles e a série “Ich erinnere mich” publicada no Die Zeit.


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26 Junho

Eu me lembro do Michael Jackson

Corria o ano da graça de 1973. Talvez fosse 1974. Naquele tempo os anos eram meio parecidos, de um jeito bom. Era a época dos bailinhos (dos quais falamos aqui, nos primórdios da seção Je Me Souviens), naquele esquema lona-na-garagem-do-amigo, muita cuba-libre para escândalo de mães e familiares e o fato de que as meninas sempre preferiam os caras mais velhos. Mas eu tinha uma carta na manga, pra enfrentar a concorrência. Como o baile sempre tinha o momento das lentas, aprendi com um amigo que o negócio era se preparar: graças às dicas do sujeito responsável pela seleção das bolachas, eu parava de dançar uns bons quinze minutos, meia hora, antes de as lentas começarem, pra mó de o suor secar e não assustar a potencial freguesia. Dava certo, dava muito certo no começo, até que todos os candidatos a galã perceberam o truque e aí o universo masculino do bairro se tornou indiscernível para as moças - eu era só mais um dos sequinhos. Os momentos de crise são os responsáveis pelas trocas de paradigmas da humanidade, como já mostrou o Thomas Kuhn a propósito de assunto menos importante que esse. Achei que era hora de inovar: comecei então a cantar, bem baixinho no ouvido das moças, as músicas lentas que a gente estava dançando naquela hora. Eu e a língua inglesa não éramos propriamente íntimos à época, e o resultado era um embromation sussurrado que, surpresa das surpresas, dava tão ou mais certo que a técnica do suor. Fiz carreira, durante alguns anos, como crooner amoroso para moçoilas desavisadas ou, melhor ainda, reincidentes. De todo o vasto repertório de embromation de então, havia duas músicas que convenciam até as mais recalcitrantes, e eu gastei muitos cruzeiros novos engraxando os DJ's das festas para tocá-las nos momentos emergenciais: All In Love Is Fair, do Stevie Wonder, e Ben, do agora finado Michael Jackson. Depois disso, eu virei bobo, o Michael virou branco e a gente pouco se encontrou nas três décadas seguintes.

Cara, valeu. Muito.
19:49:40 - Zeno -

08 Junho

Saudades do Mario

Eu me lembro que 800 mil empresários deixariam o país. E, pensando bem, lamento que não tenham se ido.
14:36:55 - Pinto -

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