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Je me souviens

Eu te lembro que esta seção tem como dívida explícita o “Je me souviens” de Georges Perec, o livro de Geraldo Mayrink e Fernando Moreira Salles e a série “Ich erinnere mich” publicada no Die Zeit.


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26 Maio

didireita e di ex-querdia

eu me lembro dum canastrão contente, nos extertores do guvernmilitá, que gostava-que-gostava de ser fotografado em seus suspensórios, fumando charuto e, por vezes, cuma gravata borboleta (nada constra a brabuleta, bem boa de vez em qdo).
e que um daqueles muleque do pasquim que depois viraro véio didireita tascou que o suspensório era pq. os cara 'tinha medo que cinto apertava as veia da cintura e que daí pra ficar broxa então'...

que diferença hein, pra hoje, que os subsequentes já nasce didireita, e cum humor já de suspensório...
22:19:20 - George Smiley -

25 Maio

Intempéries

Em época de eleição eu me lembro daqueles 800 empresários que estavam a ponto de debandar para Miami.

Felizmente, para a cidade, a ameaça não se cumpriu.
09:45:00 - Pinto -

11 Maio

Ainda o avental todo sujo de ovo

Quem foi moleque vai entender. Por conta da data, esses dias tenho lembrado da veneração que tínhamos no colegial pelas mães alheias. Nenhuma conotação sexual, apenas pretexto para tiração de sarro com amigos que, ainda hoje, se tratam por "filho da fulana" ou mesmo pelo próprio nome da genitora.

Nas olímpiadas, então, o bicho pegava. Eu me lembro da escalação dos times — "Edith", "Odete", Prazeres", "Aparecida", "Erenilda". Esta última calhou de assistir a uma fatídica final na qual seu filho não ia bem, e teve que ouvir um sonoro "Putaquepariu, Erenilda, vatomarnoseucu!". Socorreu-se aflita com o pai da criança, sentado ao lado: "Isso foi comigo, marido?".

Mas a melhor mesmo ouvi esses dias, relatada por uma amiga. Dona Maria José, a popular Mazé, foi a mãe escolhida para uma singela homenagem: batizou o jornal do grêmio. O nome? "+ é um jornal".

Saudades daqueles tempos.
17:36:26 - Pinto -

09 Maio

a, e, i, o, u, ipsilone

Eu me lembro de ter sido alfabetizado pela cartilha “Caminho Suave”. Eu e metade da população brasileira à época (a outra metade seguia método pedagógico diverso, conhecido pelo termo técnico Analfabetismo, que depois se organizou e evoluiu para o MSC, Movimento dos Sem Cartilha). Foi meu primeiro contato com a palavra “zabumba”. Primeiro e único. Decênios depois, alguns amigos de boa alma, cansados de me ver passar vergonha em mesa de bar (gritando, com muitos decibéis escoceses, “Nunca mais encontrei essa porra de palavra!”, o que eu entendia ser uma tremenda crítica abalizada ao sistema educacional brasileiro), tentavam acalmar meu ímpeto pedagógico com tiradas de bom senso: “é claro que tu conhece”, “pára de bestagem e frase de efeito”, “canta pra gente, pela enésima vez, ‘mas o doutooooor nem examina’”, etc. Na semana passada, com meia garrafa na cabeça e a outra metade num futuro próximo, safei-me dos conselhos camaradas com essaqui: “Pra mim é tudo bumbo”. Tenho pena dos meus amigos.
21:47:12 - Zeno -

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