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Zenices

Pensamentos de Zeno acrescidos de pérolas de igual verve vindas de procedência vária.


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25 Junho

Diálogos portenhos

-¿Usted es escritor?
-Bueno, err, sí. De weblogs.
-Perdón, no hubiera imaginado. Mis condolencias.

(do nosso enviado especial e rabiscador a Buenos Aires)
09:30:00 - Zeno -

Diálogos portenhos

-Você torce pra que time, no Brasil?
-Pro Palmeiras, que anda mal das pernas nos últimos tempos.
-Ah, o Palmeiras: o maior jogador brasileiro que eu vi jogar ao vivo se chamava Ademir da Guia. Un asombro. Un maestro.

(do nosso enviado especial e futbolista a Buenos Aires)
07:37:00 - Zeno -

24 Junho

Ecstasy maternal

Deu no Frankfurter Allgemeine: "Amor entre mãe e filho é um processo químico". Segundo pesquisas feitas por um Instituto italiano de Neurobiologia, publicadas no volume 304 da revista Science, a ligação afetiva entre mães e filhos pode ter origem química. Experiências feitas com ratos mostram que os bebês sem os chamados receptores cerebrais opísticos (não sei se é assim que traduz) não demonstram qualquer afeto ou carência pelos pais. Quando estimulados quimicamente através de uma intervenção externa, passam a se aproximar deles e aparentam conforto e tranqüilidade.

Lôco, né? Vem aí uma pílula filial de farmácia, para as mães mais sôfregas ou carentes?

(crdt afn)
16:19:47 - Zeno -

O sentido da vida em três palavras

Trecho de um sketch dos Luthiers em que eles apresentam ao público o Reverendo Warren Sanchéz, personagem líder de uma seita caça-níqueis em Buenos Aires:

Lo que pasa hermanos es que vivimos desorientados, pero por suerte tenemos el libro "Warren tiene todas las respuestas" que ustedes pueden adquirir en el puesto instalado en el hall del teatro, que en otro de sus párrafos dice: "Habiéndosele presentado un pobre hombre presa de la confusión, y habiéndole preguntado a Warren 'Hermano, ¿Cuál es el verdadero sentido de la vida?', Warren respondióle: '¿El sentido de la vida? Te lo diré en tres palabras: YO QUE SÉ'". ¿Qué nos quiso decir Warren con ésto? Cuando le preguntan por el sentido de la vida Warren contesta "YO QUE SÉ". Analicemos la frase. La palabra "yo", ego, parece indicar egoísmo, soberbia, lo que pasa es que aquí Warren la utiliza por oposición, para indicarnos justamente lo contrario, o sea, la humildad. O sea que queda bien claro que aquí, cuando Warren está diciendo "yo" está diciendo "humildad". Pero Warren dice algo más, Warren dice "YO QUE SÉ", o sea, "yo que SÍ sé". En resumen hermanos, Warren conoce el sentido de la vida, pero por humildad no lo quiere decir.

(para ver o sketch completo, clique aqui)

(do nosso enviado especial e epistêmico a Buenos Aires)

(da série Campanha pela Divulgação Tardia do Inexistente Fã-Clube Les Luthiers no Brasil)
07:47:00 - Zeno -

La Nelly

Um dos melhores quadrinhos argentinos é a tira La Nelly, escrita por Rubén Mira e horrivelmente desenhada por Langer, que conta as aventuras de um certo Klaus, alemão dos cafundós da Bavária que compra, graças a uma hipnose coletiva promovida pelo ex-ministro Cavallo em seu vilarejo, títulos da dívida pública argentina (os bonos) na esperança de fazer um bom negócio na hora de resgatá-los. Vem a crise de 2001/2, e nosso herói, agora um bravo bonista estrangeiro, decide ir a Buenos Aires para tentar saber o que aconteceu com seu dinheiro. Suas peripécias incluem um romance de mão única com La Nelly, uma portenha matrona que deseja ardentemente seduzi-lo, e Anne Krueger, vice-diretora do FMI, que salva o herói teutônico caipira em momentos mais difíceis. O mais curioso é que Klaus tem um correspondente concreto na sogennante vida real, um certo Stefan Engelsberger, presidente de uma ONG que representa o interesse de investidores alemães na Argentina e que esteve recentemente no país para conversas com Guillermo Nielsen, o Secretário das Finanças responsável pela negociação da dívida. Engelsberger visitou o jornal onde se publica a tira, conheceu os cartunistas e posou sorridente para fotos com um dos títulos da dívida nas mãos, 5.000 euros que hoje, com o calote, valem menos de 1.500. Quando Klaus, o personagem, diz para la Nelly que viajou com muitas dificuldades para descobrir onde estava su plata, ela responde: "¿Y para eso viajaste tanto?, tendrías que haberte cruzado a Suiza..."

(do nosso enviado especial e humorístico a Buenos Aires)
07:45:00 - Zeno -

23 Junho

Da Serra da Barriga às Grutas do Coração

"Alguns homens lêem a Playboy pelo mesmo motivo que lêem a National Geographic: gostam de ver lugares que sabem que nunca vão visitar."

(recebido por e-mail, claro; crdt saos)
16:05:39 - hubbell -

17 Junho

SP Fascio Week parte IV

"(...) ontem, vendo triângulos menores que um maço de cigarro cobrindo vergonhas tão altas e tão saradinhas na passarela, concluí que quadril é destino."

Cam Seslaf, zappando classuda nos modelos de biquínis da SPFW.
14:41:44 - Zeno -

SP Fascio Week parte II

"(...) Aconteceu exatamente como eu temia e conforme as previsões do meu chefe internético: a van chegou no horário. Eu e meu cavanhaque fashion embarcamos rumo ao Ibirapuera. Quando atravessamos a ponte da Cidade Jardim, pedi ao motorista que desligasse o sertanejo. Ao que ele fez o seguinte comentário: 'só hoje, com o senhor, é o quinto viado que vai pro Ibirapuera e me pede para desligar o sertanejo.'"

Marcelo Mirisola, relatando suas peripécias fashion no último SPFW. Para a íntegra do artigo, clique aqui.

(a pedido do Dr. P., a quem se deve o copiraitado trocadalho Fascio Week)
14:19:22 - Zeno -

15 Junho

A foreign anthology

"Não topar com Caetano Veloso ou Chico Buarque em nenhuma antologia da poesia ou da prosa brasileira".

Alcir Pécora, em matéria publicada no Mais! no último domingo e que trazia a lista dos "últimos desejos" de 12 personalidades da cultura brasileira. Por concordarmos (um grão de sal, por favor) com o desejo acima, gostaríamos de lembrar aos leitores mais jovens que Pécora, juntamente com Paulo Franchetti, foi o organizador do volume "Caetano Veloso" da coleção "Literatura Comentada", publicada pela Editora Abril em 1981 e que se encontra irremediavelmente empoeirado aqui em casa. Vale citar a curiosa nota editorial da contracapa: "O esforço para discutir a obra e a personalidade de Caetano Veloso de uma forma aberta fez com que os organizadores (Paulo Franchetti e Alcyr [sic] Pécora) produzissem um livro bastante original, polêmico mesmo, que procura ser tão singular e instigante quanto a obra do próprio autor. O julgamento do mérito e do valor dessa tentativa cabe ao leitor".

(da série "Meu passado me persegue")
08:11:43 - hubbell -

Parada Gay

"Eu disse que ele era veado e não estou mentindo, mas disse de forma elegante".

Senador Antônio Carlos Magalhães, referindo-se a seu colega Almeida Lima, do PDT de Sergipe, em bate-boca ocorrido na última quarta-feira em Brasília.

(da série "Pô, só por causa do feriado ninguém deu destaque ao episódio?")
07:41:21 - hubbell -

07 Junho

Assinale a alternativa mais estapafúrdia

a) um pianista argentino de jazz (conhecido em terras portenhas como "El señor Jazz") que parou musicalmente em 1940 e não toca nada do Piazzolla.

b) Ana Maria Braga disparando selinhos em todos a menos de dois metros de distância e no acompanhante trinta anos mais novo.

c) Hebe Camargo gritando "Bravo! Bravo!" a cada número musical.

d) Tom Cavalcante numa canja, imitando Lula, Fernando Henrique, Roberto Carlos e Maria Bethânia.

e) Hebe Camargo comentando para o Tom Cavalcante, que imitava o Fernando Henrique: "O senhor inaugurou seu centro cultural na semana passada, não é mesmo? Que maravilha!".

f) a cantora do tema de abertura da minissérie "Casa das Sete Mulheres" (quem?) numa outra canja, a capella.

g) Hebe Camargo empunhando o microfone e deixando três ou quatro canções fulminadas no chão do bar.

h) uma lôra oxigenada que continua vestida com um imenso casaco de pele mesmo dentro do bar e que tem um drinque vermelho à sua frente, com um nabo gigante no lugar do pauzinho de mexer.

i) a apresentadora Eliana com comportamento discreto.

j) Hebe Camargo aproximando o microfone na direção do teclado, bem próximo aos dedos do pianista, para que o público ouça melhor o solo do infeliz.

Bem-vindo ao Aleph/Máquina do Mundo que é o Baretto num sábado à noite.
18:26:57 - Zeno -

02 Junho

A padaria manda avisar: o sonho acabou

Lendo O Jogo da Amarelinha (Rayuela), do Cortázar (parte III):

"[Talita e Traveler] tinham dormido com as cabeças encostadas e aí, nessa imediatidade física, na coincidência quase total das atitudes, das posições, da respiração, do mesmo quarto, do mesmo travesseiro, da mesma escuridão, do mesmo tique-taque, dos mesmos estímulos da rua e da cidade, das mesmas radiações magnéticas, da mesma marca de café, da mesma conjunção estelar, da mesma noite para os dois, aí estreitamente abraçados, tinham sonhado sonhos diferentes, tinham vivido aventuras diferentes, um havia sorrido enquanto a outra fugia aterrorizada, um voltara a prestar um exame de álgebra, enquanto a outra chegara a uma cidade de pedras brancas. (...) Como era possível que a companhia diurna desembocasse inevitavelmente naquele divórcio, naquela solidão inadmissível do sonhador? [Leia mais!]
15:47:45 - Zeno -

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