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...ou então miojo

Nossas impressões sobre as cozinhas do mundo - a contrapartida sólida da Busca do Graal.


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25 Julho

Robin des Bois

Bistrozim demi simpático, demi sem personalidade inaugurado há seis meses, na rua Capote Valente, em Pinheiros. Não deu pra avaliar a cozinha, porque nossa equipe só encheu a cara de vinho (várias garrafas de um bordeauxzim honesto a 60 pratas) e de acepipes. Uma vista pelo cardápio apontou combinações inusitadas, mas não no bom sentido da palavra, e fica a promessa de novas incursões para que a injustiça seja desfeita. Na verdade, interessa menos resenhar o restaurante do que lembrar, graças ao endereço, que ali por perto ficava o Bomboa, tradicional casa de espetáculos paulistana ("Mas que espetáculo aquela morena, hein?") cujas atividades foram triste e recentemente encerradas por conta da Lei Zero de Consumo Alcoólico e Carnal, vulgo O Que Normalmente Acontece Lá Em Casa de Segunda a Sexta.

Nota: 7 Graals (os Miojos ficam pra próxima).

(Ah, sim, faltou mencionar o diálogo que antecedeu a ida ao lugar:
- Vamos àquele bistrozinho que abriu em Pinheiros?
- Bistrozinho? Qual?
- Hã, num lembro, Três Mosqueteiros, acho.
- Cê quer dizer o Robin de Bois?
- Robin Hood, Mosqueteiros, é tudo a mesma merda.)
06:31:00 - Zeno -

16 Julho

Tappo Trattoria

Eis aí um lugar em que as virtudes tornam-se vício. O que era para ser uma aconchegante casa estilo "vagão", no miolo nobre da Consolação, resulta incômoda pela inobservância de regras básicas que estão na página dois de qualquer bom manual de arquitetura. Uma delas diz respeito à relação de altura assento X mesa. A menos que o cidadão meça mais de 2m de altura será desconfortável comer lá. Outra diz respeito ao isolamento térmico: em SP às vezes (cada vez menos) faz frio, e uma porta que dá para a calçada num lugar de 20 e tantos metros quadrados resfria o ambiente a cada abertura —para não mencionar o odor dos charuteiros que vão fumar lá fora e deixam o lugar parecido com uma câmara de gás. Paradoxalmente, a acústica é ótima, a trilha sonora é adequada... mas afinal não se trata de uma casa de shows, e sim de pasto.

À comida que de fato interessa, então: entre regular e boa, mas impressionante como não anima. Em vez da personalidade de um restaurante pequeno, estilo bistrô, um local que não se fixa à memória gustativa de ninguém. Nenhum dos comensais importou-se nem de elogiar nem de maldizer os pratos. (Uma amêga minha —vocês não conhecem, não— queixa-se de não sentir emoção também no Ici Bistrô, a outra casa do mesmo proprietário. Eu preciso ler mais a respeito, mas o local bem que podia mudar o pré-histórico menu do almoço, mas digressiono). Serviço moroso, o que para um local de pouco mais de dez mesas configura-se: 1) um problema administrativo para o dono, pelo giro baixo; 2) uma demora incompreensível, quase irritante, para a clientela. E olhe lá que a relação custo X benefício do menu pende mais para o lado do custo. O exército de motoboys do lado de fora deixa em quem entra a desconfortável sensação, não sei se verdadeira, de um esquema de entrega em domicílio. Notável mesmo era o café Nespresso, incomum em restaurantes, mas desse é possível também ter em casa sem sequer recorrer ao delivery.

Nota: 6,5 miojos.
00:34:02 - Pinto -

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