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Mais Urbanismo

Deu na mídia:
“Nos cafés das Avenidas, grupos de intelectuais, jornalistas, comerciantes, reúnem-se para refresco e dois dedos de prosa. De que falam? Ouçamos, discretamente, uma conversa:
‘Hoje, até as mulheres são mais lindas, repara. A princípio, andei a supor que a idade é que me fazia vê-las mais lindas, mas não. (...) Para mim, sabes a quem a Mulher de hoje deve o realce encantador de sua beleza e elegância?


‘À rua, aos melhoramentos da Rua. Antigamente, nos apertos do nosso velho beco do Ouvidor, no círculo desairoso do largo da Carioca, nem eu nem tu podíamos ver bem a mulher, nem ela se nos podia mostrar com a exigida perspectiva. Além disso, o mau calçamento, sempre em péssimo estado, tirava-lhe a cadência do andar, fazendo-a gingar, como os nossos capadócios.
‘E, não raro, observávamos perder-se na brutalidade de um encontrão, no ridículo de um tropeço, a graça de um gesto com que se pretendia arrepanhar o vestido ou dirigir uma saudação.
‘Agora não. Com as ruas, com a moldura alegre das casas novas, o movimento e o gesto podem obedecer a todas as exigências e aos rigores de todos os estudos; e o próprio passo pode ter a cadência que a toilette demanda, porque, não sei se já tens observado, a mulher que traja a elegância custosa de um vestido de seda não tem no passo a mesma cadência da que exibe a elegância apetitosa de um tailleur de brim branco.
‘Hoje podes desembaraçadamente contemplar a arquitetura dos edifícios sem que te arrisques a torcer o pescoço; (...) melhor podes contemplar o Céu e sentir o Sol com a liberdade de homem civilizado’”.
(Revista Kósmos, 1907) (crdt sil)
posted at 09:28:01 on 22-11-2003 by Zeno - Category: Jornal Velho


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