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A hora do DJ Mandacaru

(nota editorial: nova estréia - sic - da coluna do nosso ombudsman musical, iniciada aqui. Aliás, se você quiser ouvir a faixa recomendada na primeira coluna, "What's New" com o Clifford Brown, clique aqui.)

Cigarrinho que passarinho não bebe

Se você é da turma que fuma aquele cigarrinho que não recolhe IPI nem ICMS, já deve ter ouvido falar em Paêbirú, o mítico caminho que ligaria São Vicente, no litoral de São Paulo, ao Paraguai ou, aos que deram mais algumas tragadas, a Machu Pichu, no Peru.

Paêbirú é, também, o mítico disco de estréia do Zé Ramalho, em parceria com o Lula Côrtes. Lançado pela Rozenblit, em 1975, sob o número 100.001 do selo Solar, o disco virou objeto de culto no mercado de discos raros. Tem maluco cobrando R$ 2 mil por um exemplar em bom estado. Não sei se tem maluco pagando isso. As masters do disco finaram-se numa das inúmeras inundações que acabaram pondo a Rozenblit a pique. Dizem que Zé Ramalho nunca autorizou a reedição porque no disco o Lula Côrtes aparece mais do que ele, na capa inclusive.

A falta de autorização não impediu a moçada da gravadora alemã Shadoks Music de lançar uma edição limitadíssima (350 exemplares, pelo que circulou na rede) em CD (SH 041), tirado de um LP em bom estado e lavado, filtrado e enxaguado por um desses ProTools da vida. O evento provocou uma certa comoção entre o pessoal que curte rock progressivo, tribal, psicodélico e outros adjetivos que tiveram que arrumar pra tentar tirar o rock do impasse criativo onde ele se atolou lá pra meados da década de 70.

Leiam só o que um crítico da área escreveu sobre o bolachão: “Imagine a direct cross of Swedish cosmic psychedelic pioneers Algarnas Tradgard and the progressive folk of Los Jaivas from Chile. Take the traditional instruments of the Mayans, Incans, and early Spanish settlers, and combine with unearthly chanting and singing, then mesh with jazzy elements like flute and sax. Now add a dash of classical with piano and zither. Shake three times and add a huge scoop of completely freaked out, free-from-boundaries electric fuzz guitar, organ, and psychedelic jamming. The result is the musical realization of a mescaline dance party. One has absolutely no idea what the music will do next, but rest assured it will be well-played, intense, imaginative, and emotional. How exciting it must´ve been to do music like this; each composition could be improvised in a number of ways every night. The combinations are endless. Music of this nature, like the album itself, is completely extinct.”

Um outro lá, que fumou pouquinha coisa a mais, achou que o disco era um “concept album about an acid trip through the rainforest”. Pelo que apurei, o pessoal que tocou no disco foi o próprio Zé Ramalho (cavaquinho e viola), Paulo Rafael (guitarra), Zé da Flauta (na própria), Agrício Noya (percussão), Israel (bateria) e Dicinho (baixo), além da participação do Alceu Valença em algumas faixas.

Procêis darem uma tragadinha, Trilha de Sumé, a primeira faixa do disco. Clique aqui.
posted at 17:24:57 on 03-10-2005 by Zeno - Category: A hora do DJ Mandacaru


Comentários

Pinto wrote:

Em tudo por tudo eu tenho a impressão de que quem ficou doidão mesmo foi o resenhista gringo.
03-10-2005 17:47:41

Legalize djá wrote:

Lá em Minas, é em São Tomé das Letras que tem a passagem pro Machu Pichu.
04-10-2005 11:25:15

John Self wrote:

75? arqueologia teagácico-bitchogrilística, êh?
vanguarda da era do som 'cheiro-de-mato'.
queria ouvir isso, aí talvez lembrasse...
04-10-2005 11:38:17

Zeno wrote:

Donde aquele comentário famoso sobre os cigarros sem IPI: "quem diz que se lembra dessa época só pode estar mentindo".
04-10-2005 11:39:59

John Self wrote:

e tem aquela do jagger, q. indagado se ñ escreveria suas memórias, tascou: que memórias?
04-10-2005 11:57:52

John Self wrote:

e, râham, paêbirú?
só se for o do ceará pro paraguay, o daqui pro perú era peabirú mesmo.
nos '70s a 'lei de hyppie' era ir naquele trem disgraçado, q. só se tocavam q. era da morte depois de voltar e passar o barato.
normalm/e uns anos depois.
04-10-2005 12:35:02

DJ Fumacê VJ Fumaçá wrote:

O Dr. Kildare do zôo fez mais uma intervenção cirúrgica precisa. E o pior é que eu nem sei mais por onde anda o meu fornecedor da época. Tipo assim pra processar por destruição indiscriminada de neurônios.
04-10-2005 12:43:39

Zeno wrote:

E aí, mudamos o nome do disco ou o trem era outro?

Aliás, o tal "da morte" que ia até a Bolívia saía de Bauru, pujante cidade do interior paulista onde passei algumas férias regadas a orégano do bom.
04-10-2005 12:51:19

John Self wrote:

qêêsso, uns alqueirinhos de neurônios, plantados no paraguay, pernambuco ou na terra do sirney, ñ faz tanta falta assim.
sempre dá p/ promover uns reservas ao time principal.
o q. me assuvia -a algum custo, reconheço- o grande 'cabeça de nêgo, ou o oloroso 'manga rosa'.
04-10-2005 12:54:18

fat james wrote:

E a gente planta e o romeu tuma. ou será romeu fuma?
04-10-2005 17:31:17

Bruno wrote:

Estou a ouvir o almbum, e digo, é o melhor album de música cantada em português que já ouvi.
05-03-2006 18:20:13

ERRATA wrote:

*album
05-03-2006 18:20:35


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