:: home :: posts passados :: etilíricas :: je me souviens :: microcontos ::


.:: post anterior :: :: :: :: navegue pelos posts :: :: :: :: próximo post ::.

De cima do hipopótamo

"Essa idéia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplasto anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade. Na petição de privilégio que então redigi, chamei a atenção do governo para esse resultado, verdadeiramente cristão. Todavia, não neguei aos amigos as vantagens pecuniárias que deviam resultar da distribuição de um produto de tamanhos e tão profundos efeitos.

Agora, porém, que sou cá do outro lado da vida, posso confessar tudo: o que me influiu principalmente foi o gosto de ver impressas nos jornais, mostradores, folhetos, esquinas e enfim nas caixinhas do remédio, estas três palavras: Emplasto Brás Cubas. Para que negá-lo? Eu tinha a paixão do arruído, do cartaz, do foguete de lágrimas. Talvez os modestos me argúam esse defeito: fio, porém, que esse talento me hão de reconhecer os hábeis. Assim, a minha idéia trazia duas faces, como as medalhas, uma virada para o público, outra para mim. De um lado, filantropia e lucro; do outro lado sede de nomeada. Digamos: - amor da
glória."

(créditos póstumos: MPBC: MA, lembrança da Drica, que esconde o ouro)
posted at 10:00:00 on 05-11-2003 by kobashi - Category: Editoriais


Comentários

Sem comentários


Incluir comentário

Este post está fechado. Não é possível adicionar novos comentários a ele ou votá-lo