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joakin's: cardozo x guedes

o guedes, finalmente talvez, requiescat in pacem.

foi um bom arquiteto enquanto deglutiu o funcionalismo, o racionalismo e quetais do tardo-modernismo que ainda sobrevivia talentosamente nesse país entardecente.
depois, enveredou por caminhos esquizotes.
encantou e confundiu, c'uma memória daquelas e propósitos daqueles.

parece que era sócio/parceiro do milan, o carlos, de encantadora estirpe paulistana e que foi-se cedo demais, sendo este, o milan, talvez um dos poucos daquela geração de arquitetos que realmente percebia o mal estar na civilização da arq. mod. bras. dos 50's e 60's.

parece que guedes não gostou da aproximação do milan e do artigas.
parece que daí p/ frente o guedes virou um demo prum grupo enorme de colegas.
vi aulas dele que me deixaram estupefato c/ o desperder que ele fazia nos alunos, uma loucura aquilo: ele ia confundindo até deixar um nada no lugar, só de marra, 'marcando posição', uma coisa...
mas parece que tem caras que se deram bem c/ isso, coisas da brasilidade.

mas eram histórias nebulosas, ouvidas nos finais de noite da 2ª pior noite da a.m.b., plenos finais dos '80's, auge dum bostmothernism dum dos pior tipo de edipianismo mal-resolvido da nossa história intelectual.
e guedes então, reinava, contratudo e contratodos, mas c/ projetos e, principalmente, contraditórios amalucados e semi-elegantes.
isso sempre agrada a nossa burguesia.

histórias horríveis, qu'eu apago, só guardo o sem-sentido geral da coisa: que loucura a dos cara, malandro...
o que esse país faz c/ os seus, não?

já o cardozo, essa flor do laço, morreu pq. a empreiteira miguelou a execução da obra, ela caiu e precisava dum culpado, o negoço era enorme, apoio de campanha etc., não podia aparecer a c. política, então acharam ele, o engenheiro de estruturas.
e cumunista inda por cima, e onde já se viu tamanha ousadia, cumunista, calculista e poeta, um sacatrapa aproveitador e incompetente, claro.

naquela época pf era 'porfora', os dezpurça de lei, não se sabia nada por fora deles, só versão oficial, por isso a raiva dos poeta, competidor sacana...
e crau no cara.

o que me trás ao começo, ao joakin's de x-saladas fantásticos, construções improváveis de equilíbrio e quantidade, na joaquim floriano, onde morreu um cara legal, duma mulher legal, por uma aparente besteira.
será que ainda existe? pra quem?

aquele bairro mudou tanto que, desde que lá virei et, abandonei-o a pp. sorte.
posted at 21:42:32 on 04-08-2008 by George Smiley - Category: Personagens


Comentários

sorelvexado wrote:

e isso tudo me faz pensar que a soninha tá certa e que tá errado morrer atropelado aos 76. fosse uma bicicleta, ainda tava aí.
05-08-2008 00:24:13

sorelantiquado wrote:

e, já ia esquecendo, comia no joakins desde o tempo de atravessar da vila olimpia ao itaim pela ponte da clodomiro. mas a pergunta aos arquitetos é se com a foto de satélite do google, vao mudar os desenhos dos telhados pra mó de ficar mais fotogênico.
05-08-2008 00:26:58

Zeno wrote:

Do Guedes, à parte a morte estúpida, só o conheci "presencialmente" este ano, numa fala vexatória que fez jus aos caminhos esquizotes citados acima.

Do Cardozo, perdão pela ignorância, mas que rolo de empreiteira foi esse?

Já do Joakin's, da última vez que estive lá, prometi a mim mesmo não voltar.

E da lista acima, faltou apenas o Joaquinzão, cujas construções políticas sólidas e peleguistas ruíram nos anos oitenta para voltarem limpas e com atestado de idoneidade nos 2000, já que ele morreu na merda mais absoluta e isso, nos dizem, fala mais sobre o caráter de alguém que qualquer outra coisa. País esquisito, sô.
05-08-2008 07:24:48

Zeno wrote:

Ah, sim: "pra quem?" leva, fácil, o prêmio de Pergunta Mais Pertinente do Ano. É só fazer o teste, abrir o jornal, por exemplo, e ver como ela é útil nas mais diferentes situações.
05-08-2008 07:30:08

DJeMe Souviens wrote:

"Caía a tarde feito um viaduto", lembra? O Paulo de Frontin, no Rio, descarregaram a culpa toda no velho, morreu de desgosto. Além de poeta dos bons, fazia todas as contas pros negócios do Niemeyer não desabar.
05-08-2008 08:30:31

Zeno wrote:

Botequim qualificado é isso aí: nem desconfiava que a letra do Aldir Blanc fosse mais que uma metáfora...

Sobre metáfora, aliás, souviei de um professor da faculdade, desembarcando em Atenas na estação de trens, assustadíssimo com a horda de garotos em busca de passageiros e malas e gritando "Metáfora! Metáfora!"...
05-08-2008 09:57:16

george pepsamar wrote:

c/ o respeito ao nosso nobre indirigente ténico, a soninha, que nem vale o trabalho de liamar o que já foi dito aqui, é vejga de dar dó.

e ach'que ñ foi o p.de frontin ñ, foi um pavilhão tipo anhembi, em minas, qu'eusquici o nome, c/uma estrutura de concreto super-delgada, que ele calculou pensando que seria executada conforme o apuro da boa técnica.
mas naquela época o índice de desperdício da constr. civil era de 25%:
de cada 4 caminhão que entrava na obra, descia 1 de material wasted, pela grande qualidade dos tecnoscrotos do mecusaid.
e os cara falando m., que eles sim que era os batuta, que tava construindo o bananão.

e ainda iam buscar caminhões e caminhões de nordestinos pras obra, que usavam e largavam peraí: os verdadero batuta resorvero ficá, fizero suas casa c/ o que deu (algumas tão inteligentes qto as conta do cardozo, e bem mais que as do guedes), e passaro o resto da vida vendo os idiotas ant.cit. falando m. de 'pobre'.
mas o mundo gira e a lusitana roda: c/ a economia arrumada, vão acabá comprando as construtora dos ant.cit. cúbicos...

igualzin já fizero os italiano, japoneis, polonez etc.
05-08-2008 10:29:55

Pinto wrote:

Gaudí pereceu sob um trólebus.

Assim morrem os arquitetos.
05-08-2008 10:40:19

DJ Sisquecido wrote:

É isso aí: Pavilhão da Gameleira, George. Tem um site do cabra, com as poesias e tals. Amostra grátis:

LUZIA, ACENDE A LÂMPADA DA SALA. . .

Luzia, acende a lâmpada da sala
E espreita as sombras inimigas no corredor deserto
Onde as aranhas sábias construíram estruturas levíssimas.
Vem depois assistir às horas do meu sono,
Debruça-te sobre o meu corpo
E olha para o meu rosto:
Verás então, de mim, o que é Recôndito;
Verás, em mim, o que é de Tudo;
Verás também passar a tua imagem,
Banhada e refletida,
Nas águas e na luz de minha vida.
05-08-2008 10:45:11

Zeno wrote:

Bom, e a letra do Aldir, como é que fica? Não faz referência ao Cardozo, pois?
06-08-2008 12:37:50

DJ Selembrado wrote:

Não. Faz referência à queda do viaduto Paulo de Frontin, no Rio mesmo.
06-08-2008 13:16:24


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