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Daniel Feingold, ou O macramê metafísico

ateliê feingold
Os traços se adensam de modo asfixiante, no limite físico da trama de fios, e criam como que uma segunda superfície, acima do suporte da tela de tecido branca que, em algum momento lá atrás, a sustentou. Simultaneamente ao adensamento, surgem planos, perspectivas contraditórias, movimentos instáveis que escapam do espectador e remetem os olhos alternadamente pra dentro e pra fora do quadro, nas laterais que mostram os fios em fuga (o que só se percebe, na foto acima, no detalhe lateral do quadro à direita). O resultado, misto de prazer racional e aesthesis bebum, atinge sua plena realização em quadros e painéis com dimensões inconcebíveis, cinco, seis metros que passeiam do delirante ao tranqüilo e que mostram, por A mais B, aquilo que nem seria preciso repetir, não fossem os tempos das instalações de hoje tão bicudos: a convivência feliz entre rigor formal e inquietação vivida.

(do nosso enviado especial e pictórico ao Rio de Janeiro)


posted at 17:04:26 on 28-04-2004 by Zeno - Category: Tectum Intuentes


Comentários

Tiago wrote:

Bom dia!

Estava navegando pela internet quando me deparei com o nome da empresa que trabalho em seu blog. Você comentava sobre erros lingüísticos cometidos no caso USP. A agência feeling realmente presta assessoria para a ECA/USP e todo planejamento de comunicação é feito aqui dentro.
Tendo em vista que toda divulgação estava sendo feita em um âmbito virtual, era preciso que a comunicação tivesse um forte impacto e por isso a estratégia adotada foi aquela que você mesmo viu. Nosso cliente não só aprovou as ações como também achou extremamente criativa usar do erro para chamar a atenção sobre a importância do preparo para evitar que esse mesmo erro comprometesse toda uma estrutura, todo conceito de uma marca.

Uma outra coisa que me chamou a atenção é que você usa erroneamente o termo "lingüística" para definir erros de grafia. A lingüística não tem essa preocupação, pois ela se presta a fazer uma análise sincrônica e diacrônica da língua e evolução, além de buscar traços sociais. Há outros pensamentos que levam a lingüística a fazer análises atinentes ao cruzamento de ciências humanas, mas como foco principal à língua. Sei do que falo, pois além de graduado em publicidade sou lingüista pela unicamp.

De qualquer forma a agência feeling agradece seu comentário e fica extremamente contente que a estratégia adotada tenha atingido seu objetivo além de ter agradado um colega de profissão, como é o seu caso.

Atenciosamente ,
Tiago
29-04-2004 11:22:35

Ai! wrote:

Ai! Deus me livre! Tudo isso parece desculpa esfarrapada!
O texto acima também está cheio de erros... Não me dou o trabalho de apontá-los por preguiça e porque esse tipo de coisa eu faço com meus alunos.
Pelo amor de Deus!!!
Nem sei o que é pior: se o que vejo argumentado aqui - "estratégia" e coisa e tal -, no texto de hoje, ou se o "cliente".
Até nunca mais. Espero não trombar com nenhum outro produto de cliente seu!
29-04-2004 11:41:56

hubbell wrote:

Caro Tiago:

Agradeço o tom educado do seu comentário, que permite uma conversa minimamente civilizada. Para que outros leitores saibam do que estamos falando, seria interessante uma visita à Seção Zenices, do blog, nos dias 03 e 04 de fevereiro. Vamos a alguns pontos do seu texto:

1) não uso erroneamente o termo “lingüística”, porque ele comparece em meu texto como adjetivo apenso ao substantivo “escorregadelas”, e não como referência à disciplina Lingüística. Sinta-se à vontade para aproveitar qualquer brecha para poder discorrer confusamente sobre as peculiaridades da disciplina, mas apenas quando tal brecha existir – o que não foi o caso.

2) acho incrível que se insista que tudo não passou de uma estratégia de marketing, porque o segundo e-mail enviado pela agência, que pedia desculpas pelos erros do primeiro, também continha erros. Além disso, chamamos a atenção para o próprio site da agência, que igualmente trazia trechos com redação absurda em meio a outros atentados à língua portuguesa. Sugiro que você, que se mostra preocupado com a imagem da empresa, entre o quanto antes no site e corrija o péssimo português que se encontra lá. Nós aqui no blog já fizemos parte do trabalho, destacando algumas passagens mais escandalosas.

3) tudo seria apenas uma comédia de erros não fosse a disparidade da carteira de clientes da agência: a ECA/USP é o único cliente fora do circuito muito bem demarcado de Santa Bárbara do Oeste e cercanias. Não há preconceito contra Santa Bárbara, mas sim uma curiosidade: como uma agência de alcance restritíssimo conseguiu a conta da ECA/USP? Vamos discutir como o contrato foi obtido? Isso sim teria interesse para a nossa nanoaudiência.

4) para o bem ou para o mal, não sou publicitário. Mas para que você continue sua carreira publicitária com mais proveito, seria interessante o respeito às seguintes observações: não se diz “empresa que trabalho”, mas sim “empresa EM que trabalho”; em vez de “achou extremamente criativa”, o correto é “achou extremamente criativO”; sugiro um “o” na frase “todo conceito de uma marca”, porque sua intenção era exprimir “todo o conceito de uma marca” – do jeito que a frase está, você leva o leitor a entender “todos os conceitos da marca”, ou “cada um dos conceitos da marca”; a frase “uma análise sincrônica e diacrônica da língua e evolução” não tem sentido – suponho que o que você quer dizer seja “uma análise sincrônica e diacrônica da língua eM evolução”; o trecho que vai de “Há outros pensamentos...” até “...à língua” tem a redação confusa, porque você manteve a regência do “atinente” sem fazer as mediações necessárias entre as duas frases.

Obrigado novamente pelo comentário. Desejo apenas que o idioma pátrio seja poupado de novas escorregadelas e que a dúvida sobre o contrato seja esclarecida.
29-04-2004 12:54:38

Zeno wrote:

E ninguém vai pedir desculpas por usar o espaço dedicado à discussão do post sobre o Daniel Feingold pra bater boca sobre a língua de Camões? Por que a discussão não foi encaminhada para o respectivo texto? Modos, meninos, modos.
29-04-2004 13:19:22

Cynthia wrote:

Eu gostei do Feingold. E como (para o bem e para o mal) sou publicitária, mas gosto de escrever minimamente certo, gostei mais ainda do Hubbell. Pure gold.;o)
29-04-2004 17:10:48

tiago wrote:

Caro hubbel,
Acho extremamente válida a discussão. Também fico contente que exista um espaço como esse onde idéias possam ser debatidas e digo isso não para ser um panegírico, mas porque é o que sinto realmente.
Não quero me prolongar no debate sobre o caso USP mesmo, pois como disse anteriormente, acreditando ou não, o objetivo foi atingido e os cursos foram um sucesso.

1)Entendo que lingüística foi usado com adjetivo, contudo deveria ser utilizado aspas.

2)Quanto a insistir sobre estratégia, não cabe nessa discussão, pois minha intenção não é provar de forma alguma que os erros contidos eram intencionais. Contudo, percebo que os erros deveriam ter sido mais absurdos ainda, para não existir nenhuma dúvida sobre a intencionalidade dos erros.

3) Caso o senhor se interesse sobre o histórico do clinte ECA/USP e tenha qualquer dúvida, deixarei um contato para que possa me perguntar. Não acho que caiba nesse espaço público responder perguntas desse âmbito.

4)Eu sou um apoixanado pela linguagem. Os erros que apontou no outro texto não são por falta de conhecimento e sim por desleixo, por escrever rápido.
Diacrônico e sincrônico e evolução é um forma de estudo, um termo da área, não há erro nisso. Entendo que apriori, por falta de conhecimento específico, tenha visto um erro.

Marcel Proust diz: "Dentro de um texto as palavras que o vestem nascem múmias que ao menor contato se dissolvem."
Saint Exupery: A linguagem é uma fonte de mal entendidos"

Nikos Kazantzákis: " A erudição nos faz esquecer que o primeiro objetivo dalínguaa é comunicar, aproximar. Todavia ainda insistimos em usá-la como uma ferramenta de desagragação de hieráquia"

Não devemos esquecer disso.

Mário de Andrade dizia: A maior problemática da língua pátria é o conjunto de regras e pessoas que adoram essas regras. Pobres coitados, matam a língua no que ela é mais plena: Ser ponte para o outro"

Atenciosamente,

Tiago

contato
e-mail: tiago@agenciafeeling.com.br
telefone: (19) 9722 83 26
30-04-2004 09:56:47

Sorel wrote:

Deixem o menino em paz...
... assim que ele explicar o tal contrato, ok?
30-04-2004 10:37:40

lubk wrote:

O trabalho do feingold é maravilhoso. E fica ainda melhor quando acompanhado do texto do Hubbell.
Ao Garoto propaganda: desculpe lá ! Péssima idéia vc postar suas explicações mornas logo abaixo do dito texto.
Pior pra vc ...
30-04-2004 11:12:51

Ai! wrote:

Quanto aos erros, já não há o que discutir, não é moçada?
Mas, quanto ao contrato: Tiaguinho, a ECA/USP é instituição pública e podemos discuti-la em qualquer fórum. Até desconfio de que boa parte dos seus interlocutores aqui do Zeno sejam oriundos dessa universidade - eu sou.
Explicaí cara! E o tal contrato?
30-04-2004 11:13:08

Ai! wrote:

A propósito, já ia me esquecendo: palmas pro Daniel e pro texto que o apresenta aqui.
30-04-2004 11:14:07

tiago wrote:

Podemos discutir, será um prazer. Conheço bastante sobre o funcionamento de uma universidade pública, mesmo porque fiz duas (USP e Unicamp)

Tiago
30-04-2004 11:29:07

Ai! wrote:

Tiago, deixe tudo pra lá!
Quem sabe, um dia, uma devassa acomete a ECA e aí, então, esta história virá a público; papel por papel, telefonema por telefonema.
Olhe, só me referi à origem uspiana de alguns pra dizer que tínhamos ainda maior interesse no esclarecimento do fato.
De todo modo, parabéns pelos diplomas! Bom proveito!
02-05-2004 15:38:48

Tiago wrote:

Ai!, de forma nenhuma quis ser ofensivo.
Deixei meu telefone pessoal para quem quiser mais esclarecimentos sobre o caso USP.

Quero agradecer a todos a educação com que me trataram e parabenizá-los pelo conteúdo do site. Sem dúvida, pelo que vi até aqui, vocês são pessoas que eu teria o maior prazer de sentar pra bater papo.
Obrigado,

Tiago

P.S. Deixo um texto como lembrança. Espero que tenha alguma serventia.
GALERIA DE MURMÚRIOS

"Um poeta tem que vencer esse tremor de ilhas,
ser um habitante de suas vertigens"

Diversos são os instrumentos do desejo, assim como a
singularidade de suas apropriações. Representar essa
complexa cadeia pela expressão de idéias ou pelo
exercício do pensamento é, sem dúvida, uma atitude
ousada. O desejo, por si só, entremeia-se em um
contexto, ora de revalorização interior, ora pela
infração de condicionamentos. Em qualquer desses pontos
de ruptura deve erigir-se o poeta para desbaratar as
sentenças condenatórias do mundo, e para nelas estimular
o fogo mais intenso dos infernos individuais. Exige-se,
para isso, a transformação da ilusão, do desespero, do
amor, do altruísmo e do revelado desejo que se cria no
purgatório da memória.
Alerta a essas insinuações, convém lançar a questão:
como desativar do desejo a obsessão da dúvida? O sonho é
um objeto da dúvida ou aquilo que se deseja? Com
certeza, o sonho é tênue, é uma membrana abstrata, não
convém ser estimulado. O sonho é imotivado. Porém, de
outra forma, a sua tessitura pode enveredar-se a partir
da vígilia, pelo entrelaçar dos bilros às linhas da
imaginação e da memória, na construção de uma renda
infinita de imagens e (r)evoluções. Este é o caminho da
dúvida e dos atos que dominam o espírito.
A questão é o tecido de todas as esfinges devoradoras do
silêncio. Freud admitiu ser o sonho a "realização de um
desejo". Assim, pois, a grande esfinge que nos faz
meditar ou abandonar o objeto real na viagem pelo
inconsciente é o próprio ensejo da dúvida sobre todas as
coisas.


Tiago
02-05-2004 23:14:17

Ui ! wrote:

Pessoas QUE eu gostaria de sentar ? Agora é Maître D', também ? Duas faculdades e nenhum primeiro grau, né ? Tsc tsc tsc...
03-05-2004 09:48:21

tinta wrote:

caro zeno, o texto é lindo, mas me explica por que 10 entre 10 textos críticos têm que ter "como que" em algum parágrafo?
26-05-2004 12:59:11

Zeno wrote:

Eu tenho uma teoria, eu tenho uma teoria!! O sujeito não tem muita certeza, tá entrando em território minado, se alguém apertar ele geme, etc. Qual a saída? Deixar umas brechas espalhadas aqui e acolá: "como que", "um certo", "parece que", "lembra tal coisa", etc. O tempo esquentou, ele abre uma das portinholas acima e dá no pé. E obrigado pelo elogio.
26-05-2004 13:34:06

fresca wrote:

gostei, bem simpática a tua teoria, redime o jargão. e de nada. you're welcome (sem trocadinhos).
26-05-2004 14:38:43

Jorge Manoel Gonçalves Paço wrote:

Caro Daniel,
Aqui quem fala é um colega do Andre Maurois da nossa turma Alvares de Azevedo fico muito contente por saber que voce se tornou um vitorioso em sua carreira apesar de nunca imaginar que voce fosse se tornar um artista plastico lembro de sua criatividade ao fazer aquele jogo de botão de papel e do rapza extremamente disciplinado no estudo. GrANDE abraço Jorge Paço Mantenha contato
22-08-2010 04:01:00

Jorge Manoel Gonçalves Paço wrote:

Continuo a sofrer com o nosso Botafogo.
22-08-2010 04:02:13


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