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É Proibido Fumar, de Roberto Carlos (Parte II)

O público pediu. Implorou. Exigiu. Reclamou. Nós ignoramos os pedidos de cancelamento e continuamos a publicar as Notas para uma Leitura Materialista de "É Proibido Fumar", do Moço de Cachoeiro Roberto Carlos (para os desavisados e masoquistas: a primeira parte foi publicada em 12/11/2003, na Seção Zenices).

Faixa Quatro [clique na faixa para ouvir um trecho]
Vinte anos antes de Lulu Santos, Nelsinho Motta e dos filmes de Antônio Calmon, o Namoradinho do Brasil (NB) já esboçava, em “O Broto do Jacaré”, o que seria a contracultura representada pelas tribos libertárias do surf, e isso quando Saquarema não era nem mesmo um nome no imaginário praieiro nacional. O engajamento, por sua vez, se mostra na metáfora da “onda mais forte que chegou/ e fora da prancha me atirou/quase que morro, quase me afoguei”, isto é, o movimento de aquisição de uma consciência revolucionária que reúne num único instante seus sonhos de juventude e seu amor só rapidamente vislumbrado (“ao ver passar por mim um brotinho”). O Lênin da Onda Vermelha e o Baudelaire da Mulher Que Passa, juntos. (Num registro mais prosaico, mas não menos importante, cabe ainda a observação: como esquecer a imagem do Bardo da Perna Mecânica -BPM- em cima de uma prancha, desafiando tanto as ondas selvagens quanto o bom senso newtoniano? A reter, sempre.)

Faixa Cinco [clique na faixa para ouvir um trecho]
Como toda grande obra de arte que faz jus ao nome, “É proibido fumar” contém algumas canções que, confessamos, derrotam nossas capacidades cognitivas. É o caso de “Jura-me”, de autoria de Jovenil Santos (autor cuja obra abasteceu outros luminares da época, como o injustiçado Odair José e os inesquecíveis Golden Boys), cujo sentido último e largueza semântica escapam a nós. Contentemo-nos em mencionar que os vocais de fundo “Ié Ié”, presentes na faixa, despertaram polêmicas ardorosas em função de suas ousadias atonais.

Faixa Seis [clique na faixa para ouvir um trecho]
Em “Meu grande bem”, o Filho do Relojoeiro Robertino (FRR) deixa claro que, apesar dos compromissos com a luta e o “no pasarán”, havia espaço também para aquela libertinagem gostosa e inconseqüente, bem brasileira, que tanta fama trouxe ao país junto às embaixadas estrangeiras e escritórios turísticos espalhados mundo afora. Os versos “Tenho quase um harém/ e a todas quero amar/ .... / Gosto do A, gosto do C/ Gosto do M, e do L também/ Se seu nome aqui está/ Não espere, venha já” mostram que o erotismo saudável e a safadeza marota são componentes inalienáveis do temperamento brasileiro, mesmo no período mais sombrio de sua história.

(segue em futuros posts)

posted at 11:45:31 on 20-11-2003 by Zeno - Category: Zenices


Comentários

Carlyle wrote:

Vamos completar a trilogia.
Cadê a ultima parte??????
26-12-2003 04:04:48

Zeno wrote:

A última parte será postada ainda em janeiro, pós-período de férias do pessoal aqui do blog. Com direito a uma análise ainda mais detalhada, close reading, mesmo, da melhor faixa do disco, a inolvidável Calhambeque.
06-01-2004 09:36:12


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