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Meu coração amanheceu pegando fogo

Preciso acabar com essa mania de fazer etnografia culinária nos finais de semana. Sábado passado foi dia de restaurante coreano, ali na Aclimação: U Re Mi, que em coreano deve querer dizer Um Nove Três, o fone dos bombeiros.

Não era ruim, longe disso. A salada de frutas, por exemplo, até veio sem pimenta. A cerveja também. E só. Tudo delicioso, sobretudo se o cidadão não tem que ir regularmente ao colo-reto-procto.

Aí este sábado foi dia do Mestiço, que fica no quadrilátero gay compreendido pelas vias Frei Caneca, Berrini, Marginal do Pinheiros e Nova Cantareira —ou seja, quase toda São Paulo. Não sei se era o dia, mas parecia haver algum tipo de simpósio delas no restaurante, tamanho o alvoroço.

O meu Bloody Mary —um risco a pedir num restaurante GLS, mas vá lá, gosto de viver perigosamente— estava insosso. A carne fulana-de-tal da minha senhora (não a dela, mas a que ela pediu!) veio boa, mas como pimenta no curry alheio é refresco, estava incomível: foi trocada por uma salada de lulas, que não descobrimos se eram de látex ou de silicone mesmo. O macarrão tailandês estava ok, mas não valeu a meia hora de espera. O parfait de chocolate belga (disseram que era, mas não vimos o passaporte e não podemos asseverar), esse sim, estava estupendo, a despeito da porção de faquir.

Ou seja, Zeno, o velho e bom Pasquale é melhor porque não tem erro, e não tem erro porque é melhor.

posted at 23:25:01 on 26-02-2005 by Pinto - Category: Tectum Intuentes


Comentários

Pedro Guerra wrote:

Pinto, seu ingrato!
Cuspindo no prato que comeu. Saiba que você até pode sair da viadagem,mas a viadagem nunca sairá de você. O Mestiço - ui! - é ótimo, fofa. Você é que devia estar com a perereca queimada.
27-02-2005 12:22:21

Nonna Horta wrote:

Que trash essa piada com o Blood Mary... achei feio... E os pratos em restaurantes de comida apimentada são o que dizem, apimentados, cabe escolher melhor algo para agradar o paladar, não é? Ou você vai pedir no restaurante baiano para fazer moqueca sem coentro e leite de coco? Respeito à diversidade culinária é bom e nós gostamos.
27-02-2005 13:46:36

Pinto wrote:

Não disseram. Retiraram do cardápio do Mestiço a menção à coisa picante. Sério. Não sei por quê. E a casa aqui preza todas as diversidades, culinárias inclusive: não perco por nada uma novidade e já tenho no CV gastronômico registros de ter comido, por exemplo, mussum, enguia, rena, cateto, tatu, cobra, formiga, jacaré, paca, cotia e, last but not least, veado —você já? Nunca comi tartaruga porque é crime inafiançável, mas posso estar mentindo. Jamais comeria cachorro por razões afetivas, embora reconheça que a minha pudesse talvez dar um bom torresmo. E isso tudo para ficarmos no só reino animal, sem fazer nenhuma menção etno-geográfica. E adoro comida com pimenta, não o contrário. Donde.
27-02-2005 14:16:33

Cam Seslaf wrote:

Amore, tem que ser muito cabra macho para comer em restaurante cujo nome é chamado de ambulância.
28-02-2005 11:17:22

Sérgio wrote:

"Você é que devia estar com a perereca queimada."

Assada, seu Pedro, que o pessoal da cozinha do Mestiço tem o maior cuidado com esas coisas.
28-02-2005 11:23:37

Sérgio wrote:

"...que fica no quadrilátero gay compreendido pelas vias Frei Caneca, Berrini, Marginal do Pinheiros e Nova Cantareira —ou seja, quase toda São Paulo."
Mania desses paus-de-arara recém-chegados de ver viados em tudo quanto é lugar. Moro aqui há mais de trinta anos e nunca achei que Sampa tivesse mais viado do que, por exemplo, Fortaleza. Se o Pedro também não tivesse essa mirada vesga, diria que isso é coisa de quem tem um olho só, viu seu Pinto?
28-02-2005 13:55:50

j. triangulátero self wrote:

mr. pin, sábado é um inferno nessa ci//.
inda mais em bardamoda.
até hamburguer do balcão fica duro de matar.
o teste de carga dessas pl(r)agas tem q. ser durante a semana.
mas a do quadrilátero ñ tem preço,
quase deu cãimbra no queixo...
28-02-2005 20:25:55

Zeno Balança Mas Não Thai wrote:

Só pra confirmar o clichê de que praia de paulista é restaurante, vamos lá, do fim ao começo:
--numa cidade com 7 ziquilhões de restaurantes, é uma improbabilidade estatística, pra não dizer uma persistência estomacal, freqüentar o Pasquale mais que uma vez por semestre.
--ninguém-que-eu-conheça (sabidamente uma das categorias filo-sociológicas mais confiáveis) vai ao Mestiço por razões gastronômicas. Talvez no início, lá se vão 7, 8 anos, quando o perfil do público ainda era indefinido e a cozinha, não.
--além da fauna quadrilátera bem apontada por você, o lugar costuma ter muito jornalista borboletando pelas mesas, e eu só vou a lugar freqüentado por jormalista se estiver desacordado ou, melhor das hipóteses, semi-consciente (sem conotações fassbinderianas, por favor).
--a pedida, no Mestiço, é sentar logo ali na entrada (pra que não achem que você vai jantar lá, valha-me), entupir-se de caipirinhas (boas) e daquelas cestinhas thai, e depois de três quartos de hora levantar-se, andar cinco metros à direita e traçar uma honesta quiche no Tartine, ao lado, por módicas 15 pratas.
-quanto aos pimentismos orientais (pra não reclamar do convite não-feito, que esses coreanos da Aclimação estão na minha mira há tempos), eles já foram homenageados por duas vezes nos jemesouveios do brógui, aqui: http://kobashi.com.br/blog/... e aqui: http://kobashi.com.br/blog/...
01-03-2005 08:21:58


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