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01 Junho

Cecília

Quem quer que seja capaz de fazer um caldo de frango daqueles, aparentemente ralo e sem graça, com um sabor capaz de amolecer o mais duro dos corações deve ser mesmo um escolhido pelo Senhor. No caso, uma escolhida: dona Cecília Judkovitch, proprietária do restaurante de mesmo nome, na Tinhorão, travessinha em frente à Faap, em Higienópolis.

Uma pobre alma como a minha, que até então achava que judeu era só um árabe que não sabia cozinhar, deveria ser condenada a jamais deixar o sheol, o limbo. Felizmente, o Cecília me redimiu. Sem favor nenhum, é uma das melhores cozinhas de São Paulo —e com preços justíssimos, que a colônia não é lá dada ao esbanjamento. Os substanciosos pratos ashkenazitas combinam perfeitamente com o inverno, o ambiente é estóico, pequenino como convém. Quando pode, a proprietária desce da cozinha e assume o caixa, esbanjando simpatia e reforçando o ar familiar do estabelecimento. Seu único pecado é não guardar o Shabbat, mas, tudo considerado, a isso qualquer pessoa de fé fará vista grossa, até mesmo Adonai no Dia do Juízo.

Nota: 10 miojos, com louvor.
10:00:00 - hubbell -

04 Maio

Roteiros

Exposição "Herança dos Czares", na Faap. Para entender por que, lá pelos idos de 1916, o lúmpen pensou em tomar uma providência de fato contra os Romanov. Olha, já vi luxo, poder e glória juntos, mas naquela ostentação ali nem em Brasília.

Na saída, se quiser se sentir um soberano russo, o cidadão pode cruzar a rua e pedir uma borscht no Cecília, um dos melhores restaurantes da cidade, tudo computado. Não sei se eram os eflúvios do Pessach, mas a dona Cecília Judkovitch, que tem as mãos de fada, agora inventou um tal rodízio de comida judaica que nem Adonai, Lui même, faria melhor.
14:07:01 - Pinto -

15 Janeiro

Obituário

Cumprimos o doloroso dever de anunciar o fechamento de duas casas de primeira necessidade:

O Cecília, que pelo menos continua a atender encomendas pelos fones 3826-2973/3662-5200, e o Kinoshita, que desistiu dos confins da Liberdade e supostamente iria se estabelecer no Itaim, onde está a moçada capaz de freqüentá-lo assiduamente sem sair ganindo.

O Chi Fu ainda não fechou e pelo visto nem vai, mas de tanto figurar na Vejinha é já que fica inacessível.

Estou inconsolável.
14:00:00 - Pinto -

11 Novembro

O Bill no Brasil

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Foram provocar, agora aguentem.

Seguinte: se existe um pianista de jazz de que eu goste mais do que o Bill Evans, ainda não me foi apresentado. É daqueles caras que desperta em mim os mais pervertidos sentimentos "completistas", o que inclui toda sua discografia oficial mais uma cacetada de bootlegs.

Aqui no Brasil, Mr. Evans tinha ao menos um amigo de ebony, ivory e nose, outro pianista Del Gran Caray, Luiz Eça. O que vocês vão ouvir na sequência são dois boots: uma apresentação do Bill Evans Trio na Sala Cecília Meirelles (53MB), de 1979, e um bem bolado (139MB) do Bill com o Luizinho, mais a participação da Leny Andrade em uma das faixas, tudo gravado ao vivo no Chiko's Bar. Esse último foi presente do Loronix, atualmente em estado de hibernação, mas que é o blog mais bacana de música que eu já vi. [Leia mais!]
14:47:59 - DJ Mandacaru -

25 Setembro

AK Delicatessen

Eu fui e você provavelmente não conseguirá: Andrea Kaufmann, que já tinha sido capa do Paladar do Estadão, acaba de ser eleita "Chef Revelação" com largo destaque pelo Guia da Vejinha, e os 30 lugares do pequeno espaço da Rua Mato Grosso (onde funcionava o Ici, me dizem) já não vão comportar tamanho sucesso. Não que a talentosa e simpaticíssima Andrea não mereça, ao contrário. Mas é que depois da Vejinha as coisas acabam ficando chaaatas...

O AK tem um patamar de preços além do aceitável para um restaurante de cozinha judaica, me garantem amigos da colônia, que tripudiam do fato de comerem de graça os mesmos pratos, preparados pelas avós. "Azar de gói, mas quase os mesmos", pondero, e já explico por quê. Um dia depois da minha visita, justo no Rosh Hashaná e antes da Vejinha entrar na história, a chef avisou que iria aumentar os preços. Parece que o dólar despencando a 1,80 tem um efeito rebote nos restaurantes, só pode, mas digressiono. Com a verba de crítico de gastronomia aqui do blogue minguando a cada dia, acho que não voltaria lá tão cedo mesmo.

Ao que interessa então: o bistrô é fenomenal, mais ainda se considerados os menos de seis meses de funcionamento. O pastrami feito em casa é inconteste o melhor de São Paulo. Os varenikes de rabada com agrião estavam divinos e o pato com repolho adocicado e risoto de parmesão com pistache, para mim, foi a melhor refeição em alguns anos. Isso porque não tinha ainda provado um biscoito de chocolate meio-amargo com purê de damasco. Quem é órfão da dona Cecília, como eu, haverá de se sentir quase confortado.

Nota: 10 miojos, apesar da Vejinha.
12:38:05 - Pinto -

11 Maio

Continue pensando assim, São Paulo

Transcrito da Folha de hoje, grifo meu:

Após protestos, governo desiste de metrô na Angélica

Estado tira estação da principal via de Higienópolis, bairro da elite paulistana, e cria uma no entorno do Pacaembu

Em Higienópolis, moradores dizem que "prevaleceu o bom-senso'; Associação Viva Pacaembu reclama

JOSÉ BENEDITO DA SILVA
DE SÃO PAULO

Após pressão de moradores, empresários e comerciantes de Higienópolis, bairro de alto padrão no centro da capital, o governo de São Paulo desistiu de uma estação do metrô na avenida Angélica, a principal do bairro.
A estação integraria a linha 6-laranja, que vai da Brasilândia (zona norte) ao centro, passando por bairros como Perdizes, Pompeia e Santa Cecília e universidades como Mackenzie, PUC e Faap.
Com isso, o governo reativou o projeto de uma estação na praça Charles Müller, no estádio do Pacaembu.
A proposta de instalar a estação Angélica surgiu em junho de 2010, sob o argumento de que uma pesquisa mostrava que havia demanda de passageiros no local. Já a nova configuração foi apresentada pelo Metrô em audiência pública na semana passada.
A mudança veio após protestos da Associação Defenda Higienópolis, que reuniu 3.500 assinaturas contra o plano, com campanhas na rua e no Twitter.
Os moradores alegavam que a nova estação ampliaria o fluxo de pessoas no local, com o consequente "aumento de ocorrências indesejáveis", além da transformação da área em "camelódromo".
A entidade também apontava que a região já tinha estações suficientes. "Prevaleceu o bom-senso", afirma o presidente da associação, o empresário Pedro Ivanow.
A Angélica, alega Ivanow, ficaria a três quadras da estação Mackenzie e a quase 2 km da PUC-Cardoso de Almeida.
Segundo ele, em reunião na última semana de abril, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, concordou com o argumento. "Ele me disse que era totalmente favorável à exclusão da Angélica", diz.

PACAEMBU
A reviravolta irritou a Associação Viva Pacaembu. "Se o governo desistiu por pressão, sem considerar a análise prévia de demanda, acho pernicioso", diz a presidente, Iênidis Benfati.
Para ela, o principal problema da estação Pacaembu será em dias de jogos. Hoje, diz, as torcidas são pulverizadas pelas estações Sumaré, Clínicas, Marechal Deodoro e Barra Funda. "Até a PM não recomenda centralizar a torcida em uma estação."
Não foi a primeira vez que o governo Geraldo Alckmin (PSDB) desistiu de uma estação após protesto. Em 2005, ele abandonou a ideia de construir a estação Três Poderes, da linha 4-amarela, na região do Morumbi, depois de pressão de moradores.
10:14:08 - Pinto -

29 Agosto

"Sobre memória e bytes"

Mudando um pouco de assunto, de ruim para muito melhor, deixo-vos com Ronaldo Correia de Brito, um favorito aqui da casa, e mais um belíssimo texto seu, publicado hoje no Terra Magazine. [Leia mais!]
14:32:39 - Pinto -