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29 Abril

A mãe da minha mulher

E ontem foi o Dia da Sogra e nós deixamos passar em branco. Aproveitando o pique dos últimos posts, segue seleta de frases e um pedido para que nos mandem outras, na caixa de comentários.

Sogra é que nem mandioca: as melhores estão debaixo da terra.

Sogra boa tem só dois dentes: um para abrir a cerveja e o outro para doer.

Sogra boa é como cerveja: gelada em cima da mesa.
14:47:55 - Zeno -

24 Setembro

"Pérola da natureza"

Cês já tomaram a tal Krombacher, cerveja alemón que se encontra até mesmo em supermercados de Jundiaí? Bem boa. Nosso redator chefe Pinto, saudoso ainda da Malte 90 e o maior conhecedor de cervejas feitas com milho, soja e demais cereais não maltados, vai fazer as objeções de sempre: "É muito amarga", o que é verdade, e "Aposto que é feita segundo aquela Lei escrota de Pureza Alemã", o que também é verdade, lei que tantos males causou à família do redator quando eles ainda moravam em terras tedescas. De qualquer modo, é melhor beber a Krombacher, que tem a vantagem de vir de região boa em cerveja na Alemanha (Dortmund, Düsseldorf e adjacências), do que gastar dinheiro à toa comprando as Stella Artois, Bavária Gold, Eisenbahn, Kaiser Wilhelm e demais arapucas à venda nas bodegas de praxe.

(crdt do mimo: mónica c.)
15:30:55 - Zeno -

11 Fevereiro

Ouro de tolo

Finalmente provei hoje a tal da Kaiser Gold, cerveja vencedora de um certo "concurso de degustação às cegas" promovido por —logo quem!— o vetusto Estadão.

E só hoje o fiz por dois motivos. Primeiro: influência das más companhias aqui da redação, francamente pró-Heineken. Segundo: só hoje encontrei a tal cerveja na bodega do Diniz mais próxima da minha residência.

Foi o triunfo da teimosia diante de uma bebida que não chega a desapontar, mas também não merece nenhum registro especial. Senão vejamos. O sobrenome Kaiser já pressupõe cautela. E teste às cegas conduzido logo pelo Estadão, matutino que tudo vê, também não se sustenta: a turma empoada do Estadão não sabe o que é botar uma cerveja na boca desde o tempo da faculdade. E fermentando ali só a mente do nosso dileto editor do Caderno 2. Mas digressiono, digressiono.

Quer uma opinião menos abalizada? A Kaiser Gold ainda é inferior à Stella Artois de Jaguariúna, embora seja bem melhor que a Heineken.

Falando em Heineken, outro dia a equipe de degustação etílica do HZ conduziu um teste cego na casa do Tio Ethan, que como scholar e homme des lettres se provou o melhor churrasqueiro que eu já vi. Resultado: depois que provamos a Heineken importada, ficou mais evidente o sabor entre acetona e Lysoform daquela lavagem que fabricam por aqui.

O Zeno vai alegar que é a única cerveja nacional feita de acordo com a Lei da Pureza etc. etc., mas isso é só desculpa pra pronunciar "Rheinheitsgebot" com sotaque da Renânia.
15:58:56 - Pinto -

27 Dezembro

Sempre o mesmo assunto

"A cerveja e a cachaça são os piores inimigos do homem, mas o homem que foge de seus inimigos é um covarde".

Zeca Pagodinho, abril? de 2003.
07:02:00 - Zeno -

18 Julho

Crise alemã

dados alarmantes

O gráfico acima mostra o decréscimo no consumo de cerveja junto à população alemã (litros por garganta). Se se configurar uma tendência mundial, o Brasil espera que cada um cumpra sua parte (a média brasileira, segundo algumas googladas, é de 50 litros) e reverta tão sinistro quadro. Aos copos, patrícios!

(crdt: faz)
12:15:00 - Zeno -

11 Novembro

Diálogos e-mailísticos

– Vi que você mandou cópia do e-mail para um certo "pinto". Achei boa a lembrança. Não deixe de levá-lo.

– Embora eu ande sempre com ele, achei melhor dar uma ênfase. Sacumé, a irrigação dos vasos já não é mais a mesma.

– É verdade, e se a gente beber muita cerveja, acaba precisando dele para as idas ao banheiro. O que lembra a amiga da Dona Flor perguntando, depois da morte do Vadinho: "Você agora só usa a boceta pra mijar?". Muito fino, esse Jorge Amado.
15:02:13 - Zeno -

05 Dezembro

Nosso Almirante é melhor que os outros

As águas turvas do hospedeiro puseram a pique o que incontáveis gerações de bucaneiros e engradados de cerveja não conseguiram: tiraram do ar o meu, o seu, o nosso Almirante Nelson, que foi buscar guarida temporária num desses speakeasies de dúbia reputação, tar de Blogspot. Quando as coisas se estabilizarem, sugerimos de imediato (sem trocadilho) a troca de nome do blog para Holandês Voador, ou mesmo Navio Fantasma. Pelo menos a trilha sonora já tá pronta.
07:09:00 - Zeno -

19 Setembro

Colarinho branco

Enfim uma antiga reivindicação deste blogue foi atendida. Agora tem Stella Artois a R$1,99 nas gôndolas ordinárias deste país. É verdade e dou fé: acabei de voltar da bodega do seu Diniz com um pacotinho.

Só não estava combinado chegar em casa e espatifar uma garrafinha no chão. E olhe que nem bebido tinha! Deve ter sido mandinga do pessoal da Baden Baden. Sinto muito, rapazes. A cerveja é excelente, mas a quase 10 paus a garrafa não dá.
22:31:11 - hubbell -

27 Janeiro

O spam e as belas-artes com ênfase naturista

Cortesia da nossa Inbox:
"FESTAS UNIVERSITÁRIAS: Estudantes em festas de confraternização de universidades. Você ficará surpreso ao ver o que essas garotas fazem. No começo da festa todas estão tímidas, mas quando a noite avança, elas se liberam... EM DESTAQUE: Festa da Tequila!!! Tequila e cerveja na faixa! Janaína nunca havia bebido, acabou fazendo sexo na frente de todos... Em plena sala de estar!"

E depois fulanim ainda reclama de receber spam na caixa postal. Lôco, né?
07:20:00 - Zeno -

27 Abril

Cerveja grátis ou HZ também é ecológico

Vai lá.

Nem todo mundo aqui na redação precisa gastar a vida ganhando o pão de cada dia. H´å também aquels que j´å podem comprar capsulas espaciais em desuso ou dedicar seu tempo a benemerencia, ao bem do planeta terra, nossa querida nave mãe. Pois bem, este que vos fala e mais um grupo de desocupados tratam há alguns anos de cuidar do lixo que vossas senhorias produzem, mais especificamente, de seus velhos celulares, computadores, carregadores, impressoras, motores eletricos e afins. desse bando, um tanto fica enchendo o saco de vereadores e deputados e membros (eles lá) dos executivos, outro tanto gasta seus dias em pesqusias, dando palestras(!) ou mantendo o blogue lixoeletronico.org. Dois resolveram achar que nesse lixo tinha mais coisa pra dar (ele lá) e o resultado é esse aí. Uma exposição em que os artitas, como diz o release, "trabalham com peças de celulares e computadores descartados, com a digitalização dessas partes ou simplesmente na relação com o imaginário".

O nome da exposição é Cultura Mestiça" e a abertura ser´å na nesta sexta-feira, 29/04, as 19h no Serralheria, aqui em SP. Depois das 22h tem uma banda de jazz bacana pra compensar quem ficar.

É bacana. Vai lá que eu te dou (ele lá) uma cerveja e te tiro uma doação de milhares para a causa.

Em tempo 1: na mesma hora, dia e local haverá o lançamento do 9o Prêmio Sérgio Motta de Arte e Tecnologia.

Em tempo 2: agradecimentos ao CEDIR, do Centro de Computação Eletrônica da USP.

Confirme sua presença aqui (precisa estar logado no facebook).
16:53:02 - Lama -

08 Junho

Alemanha, terra de contrastes

Minha sogra monoglota vai passar três semanas em visita à Alemanha. Sua filha, conscienciosa, pediu-me que elaborasse uma lista de palavras e expressões em alemão que pudessem auxiliá-la em momentos de apuros. Segue a primeira leva, na esperança de os leitores do Zeno poderem também contribuir com sugestões:

"Infarto"
"Crise renal aguda"
"Drogas com desconto"
"Isquemia"
"Pago 300 euros para ter sexo com um estranho"
"Você chama essa merda de cerveja?"
"Capriche na porção de eisbein, por favor"
"Onde fica a sauna mista mais próxima?"
"Occalam é meu pastor e nada me faltará"
07:38:00 - Zeno -

25 Abril

quem tem um ivan nhoé, merece um ivan lessa pela testa

o que vc., ὑποκριτής nano leitor, imagina possível entre um singelo "...Rebecca Black tem 13 anos e quer ser cantora. A voz é frouxa mas os pais dão força.", e um curioso "...Incentivavam os truques dele com cachaça e cerveja"?

e, ainda, com o sincrético título de "o YouTube e o Ernesto, o inconveniente"?
sim, sim, quem já leu ivan lessa já imagina, já se animando a servir-se dalgum puro qqer coiso líquido.
20:59:34 - George Smiley -

13 Janeiro

Do Cais de Gaia para os Trópicos

A correspondente do blog em Lisboa, Encarnação dos Prazeres, nos manda farto material de divulgação, via posta restante, com as novidades do inverno luso. Destacamos a República da Cerveja, bar de louras, morenas e ruivas geladas que edita um simpático mini-jornal com os lançamentos cervejeiros e as explicações para os diferentes tipos da bebida. Fica a sugestão para que algum boteco ou cervejaria daqui tenha a mesma iniciativa de publicar material impresso com orientações, dicas e bibliografia para os pés-de-cana menos letrados. Como dizia o Cortázar, em versão adaptada, "entre escrever e beber nunca admiti uma clara diferença". Escrebeber, diríamos.
11:49:25 - hubbell -

26 Fevereiro

De repente, no último verão

Caroline Café é o tipo do lugar no Rio de Janeiro em que o sujeito se sente como se em São Paulo estivesse. Não é ruim, não por isso. É só metido. Fica ali pertinho da Lagoa, em frente à Mil Frutas, ao Quattrino e ao Solarium, uma das casas de tolerância mais chegadas da Zona Sul, sem trocadilhos —tudo isso na rua J.J. Seabra, que, com um nome desses, também nem precisa de trocadilhos.

Enfim, no lugar, no café, bem entendido, tem uma tabuleta com os especiais do dia e a inscrição "Hostess will seat you", que um gaiato amigo meu traduziu como "A anfitriã vai sentar em você". Pra que isso tudo, inda mais no Rio de Janeiro, né mesmo?

Mas o chope é bom, os drinques são corretos, a freqüência é bonita e a cerveja é Devassa, não necessariamente nessa ordem.

Nota: 7 graals, com viés de alta.
23:11:41 - hubbell -

12 Janeiro

Eu me lembro

Eu me lembro de ter ido a uma festa em Berlim Oriental, levado por um amigo que namorava uma garota de lá. Chegamos e o pessoal da festa estava tomando cerveja morna e jogando Mímica com papel e caneta – você desenhava e o outro grupo tinha de adivinhar. Depois de meia hora exasperante, saquei de um bolso do casaco uma garrafa de bourbon, do outro bolso uma fita do Lenny Kravitz que estava no walkman e sugeri: "Vamos dar uma animada na festa, dançar um pouco, que tal?". A combinação música pop + Kentucky acabou dando certo, e a festa embalou que foi uma beleza. Até hoje não tenho bem certeza se não fui eu o primeiro infeliz a introduzir (ops) o Kravitz do outro lado da Cortina de Ferro.

(da série "Europa, Terra de Contrastes", ou "Se hoje é terça, então isso aqui deve ser a Bélgica")
08:00:00 - Zeno -

27 Setembro

Com o copo que entornas

Como a acusação, recebida na caixa de comentários, é séria e bem escrita, merece transcrição e resposta aqui na primeira página:

"O Blog de Vocês Não Presta (1):

Motivo: deturpam e sonegam informação. Explico: eu também encontrei a Estella [nota do editor: a cerveja belga Stella Artois] no Carrefour, linda, loura, gostosa, tipo "fortinha" como se falava antigamente. Fiquei imaginando a ascendência da moça, o melhor da casa Chimay, Breda, e do parentesco aristocrático com os holandeses e alemães. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que a moça vem de Jaguariúna mesmo!?!? Nenhum bloggista vagaba pra dar a info!!!! Moreover,há acordo entre vocês (o Zeno) e o grande capital multinacional. Explico. Descobri que o blog tem acordo com a Interbrew, o nome do pai da moça de Jaguariúna. Em troca da Estella no Brasil, o Zeno vai enfiar o Van Damme (a família do moço tem 33% das ações) em umas produções Z brasileiras que ele fica decupando por aí. É um acordo espúrio, desonesto e...ainda pior. O CADE não foi sequer notificado!!!!! Isso é canalhice, gente, safadeza da grossa!!!! Trocando gata por celebridade!

Vocês não valem NADA!!! Ass. Tio Ethan."

Resposta: é verdade que eu havia prometido, no comentário ao post sobre o lançamento da belga, uns pitacos posteriores sobre o mundo das louras geladas. Não escrevi por pura falta de tempo, ainda que pese sobre o blog a acusação de ser escrito por um bando de desocupados. É pena, também, que o Tio Ethan não priva com meu círculo próximo de amizades, pois teria escutado embevecido (com trocadilho, claro) meu longo blábláblá antiJaguariúna feito no domingo à noite, entre um pedaço de pizza e outro. A promessa, reiterada, é a de que o assunto cerveja voltará num post próprio. Quanto às insinuações fílmicas, nas duas palavras mágicas recitadas recentemente por Dirceu Eisenstein: repilo, repilo. Obrigado pela paciência. Com o lúpulo que me atiras construo minha birra.
20:04:40 - Zeno -

29 Janeiro

Pílulas de sabedoria do Dr. Zeno para 2008 (I)

Férias, ah, férias. Acepipes, gin tônica, sexo variado, sol ininterrupto. Algum dia terei tudo isso, mesmo sendo professor. Até lá, dá-lhe p.f., cerveja nacional, abstinência, chuva e uma conexão discada que me impede de postar com a desejada eficácia. Enquanto persisto nas férias, deixo à nanoaudiência os frutos de meu ócio qualificado:

Os jovens têm quase todos um compasso com o qual se comprazem em medir o futuro. Esse fenômeno da vida moral não se realiza senão em certa idade. Essa idade, que para todos os homens situa-se entre os vinte e dois e vinte e oito anos, é a dos grandes pensamentos, a idade das primeiras concepções, porque é a idade dos desejos imensos, a idade em que não se duvida de nada. Depois dessa idade, rápida como uma seminação, vem a da execução. Há de algum modo duas mocidades, a mocidade durante a qual se crê, e a mocidade durante a qual se age; muitas vezes elas se confundem nos homens favorecidos pela natureza, e que são, como César, Newton e Bonaparte, os maiores dentre os grandes homens.
10:12:29 - Zeno -

08 Julho

Bassi

Eis que num belo domingo o sujeito caminha pela 13 de Maio depois de ter se aventurado pelo mar de cacarecos da feirinha do Bixiga e é atraído pelo atávico aroma de bichos mortos sobre a fogueira. Vem uma lingüicinha, coisa e tal, uma cerveja surpreendentemente gelada e por fim o cardápio a$$u$tador, não propriamente pelas carnes, mas pelos acompanhamentos. Senão vejamos, quase vinte contos per capita por uma salada, indivisível por édito real, é no mínimo discriminação contra vegetarianos. Com uma dúzia dessas, mais os dez porcento, vai-se a Buenos Aires comer muito melhor por uma fração do preço.

Aí chega o Bombom, corte que o proprietário cujo sobrenome batiza o lugar alega ter inventado. A sensação foi de morder minhas havaianas: um bife duro como meus nervos após a primeira dentada e meu bolso após pagar a conta. Pelo menos o maître foi gentil, reconheceu o fiasco, disse que o tal Bombom "às vezes é um pouco assim mesmo" e o trocou sei lá por que, pouco importa, que nessa hora quem estava passando do ponto era meu saco.

Nota: 2,0 miojos, um pela carne dura, outro pela cara dura.
07:10:00 - Pinto -

08 Junho

Chi Fu

Expressão que se presta à toda sorte de infâmias em português e batiza o último de três restaurantes chineses geminados, junto à Praça da Liberdade. Ignoro o que significa e pouco importa, pois do cardápio à conta, passando pelo serviço belicoso, tudo é em mandarim ou cantonês, quem vai saber... Dos três, é o mais imundo, mais barato, mais bagunçado e de melhor cozinha. Por alguma dessas razões, ou todas, está sempre lotado, e o padrão de controle da fila é brasileiro mesmo. Um fuá.

Nos fundos, há viveiros com uma miríade de animais aquáticos e tudo mais que um bom gourmand chamaria de "la nouriture prochaine". Junto à escada do porão —juro pelas vítimas da Praça da Paz Celestial— havia um saco de 15kg de Whiskas, que frango, coelho e mignon famintos miam demais. O que esperar de um país em cujos zoológicos há plaquinhas com o nome do animal e uma receita?

A cerveja não vem gelada, como de resto é raro em São Paulo. O pato laqueado é emocionante, a carpa com gengibre é de comer de joelhos, idem para os camarões gigantes, tudo a preços ridículos, e felizmente este blogue não é escrito em ideogramas. Se você é suscetível a gordura na comida, não se preocupe: em vez de sabão, o banheiro tem detergente.

Nota: ainda assim, 9,0 miojos, mas aposto que a AP não daria nem dois!
13:00:00 - Pinto -

26 Fevereiro

Meu coração amanheceu pegando fogo

Preciso acabar com essa mania de fazer etnografia culinária nos finais de semana. Sábado passado foi dia de restaurante coreano, ali na Aclimação: U Re Mi, que em coreano deve querer dizer Um Nove Três, o fone dos bombeiros.

Não era ruim, longe disso. A salada de frutas, por exemplo, até veio sem pimenta. A cerveja também. E só. Tudo delicioso, sobretudo se o cidadão não tem que ir regularmente ao colo-reto-procto.

Aí este sábado foi dia do Mestiço, que fica no quadrilátero gay compreendido pelas vias Frei Caneca, Berrini, Marginal do Pinheiros e Nova Cantareira —ou seja, quase toda São Paulo. Não sei se era o dia, mas parecia haver algum tipo de simpósio delas no restaurante, tamanho o alvoroço.

O meu Bloody Mary —um risco a pedir num restaurante GLS, mas vá lá, gosto de viver perigosamente— estava insosso. A carne fulana-de-tal da minha senhora (não a dela, mas a que ela pediu!) veio boa, mas como pimenta no curry alheio é refresco, estava incomível: foi trocada por uma salada de lulas, que não descobrimos se eram de látex ou de silicone mesmo. O macarrão tailandês estava ok, mas não valeu a meia hora de espera. O parfait de chocolate belga (disseram que era, mas não vimos o passaporte e não podemos asseverar), esse sim, estava estupendo, a despeito da porção de faquir.

Ou seja, Zeno, o velho e bom Pasquale é melhor porque não tem erro, e não tem erro porque é melhor.
23:25:01 - Pinto -

19 Setembro

Rasgueira

E por falar em Quinteto Irreverente, este sábado passado testemunhou o encontro presencial e síncrono de duas cúpulas (atenção, revisor) blogueiras, a nossa e a deles, num improvável boteco chamado Rasgueira num improvável bairro chamado Campo Belo, numa improvável esquina das ruas Gabrielle D'Annunzio e Vicente Leporace. Para garantir a convivência pacífica entre o escritor italiano e o saudoso radialista, muitos chopes, caipirinhas e cerveja preta (já que o Perozzi estava amamentando). A denunciar a idade dos blogueiros tiozinhos, travessas e mais travessas de torresminho, lingüiça e mandioca frita, que ninguém ali leva muito a sério o conversê saúde da geração que os sucedeu. Segundo a descrição do próprio Perozzi, presentes ali estavam "um frade maconheiro, um juiz de bridge, um cineasta maldito, um cabo eleitoral da ZL, um sósia do Lião da Saúde e esta força da natureza que vos fala. Todos já meio carecas, enchendo a pança de feijoada, ouvindo um chorinho no Rasgueira. Ninguém trabalhando demais, reparou nisso?". Enfim, fica a recomendação da feijoada profissa do boteco e do chorinho bem tocado, mas cuidado com mesas excessivamente animadas e repletas de tiozinhos senis e assanhados.

Nota: 9 pra feijoada, 9 pros músicos e 10 pro Wittgenstein, que não tem nada a ver com isso mas era um sujeito batuta.
10:32:48 - Zeno -

17 Outubro

Casa Garabed

Desconte o fato de que fica em Santana. As famosas senhoras epônimas do bairro, ou aquilo que representam, morreram ou se mudaram para o Real Park e adjacências, deixando a Zona Norte menos insalubre. Pois é lá mesmo na Saint Paul profonde, encravado numa viela residencial, sem dar a menor pinta de casa de pasto, que fica o único, e não por isso o melhor, restaurante armênio da cidade. Foi dra. Escarlatina que há tempos primeiro me alertou, mas só neste finde é que eu tive a ventura de provar uma cozinha similar à dos bons árabes da praça, mas com algumas sutilezas que a tornam distinta. O clima de domingão em casa de vó, por exemplo.

Sutilezas que se estendem numa certa liberalidade no emprego do alho e do snobar, o velho pinoli de guerra. A tal da carne seca armênia, cujo nome impronunciável agora não me ocorre, é um verbete à parte no capítulo da charcuteria: maravilhosa. O quibe assado à lenha e posteriormente cozido na coalhada também lembra o chichbárak, só que melhor. Detalhe positivo: a cerveja vem estupidamente gelada, uma raridade em SP. Detalhe negativo: as porções estão mais para nouvelle cuisine (atenção revisão: manter no feminino) do que para a fartura de uma mesa árabe, e a relação custo X benefício finda não sendo tão convidativa —come-se quase tão bem num Jaber da vida por 1/3 da conta.

Nota: 8,5 miojos.
15:00:00 - Pinto -

08 Janeiro

Drinques e Coquetéis

Férias, praia, calor combinam com caipirinha e cerveja, certo? Por uma dessas circunstâncias do acaso litorâneo (que é o outro nome que se dá à distração desavisada), fui obrigado a ingerir neste fim de ano um drinque, hã, incomum, feito com doses generosas de Martini Bianco (sic) e club soda, em copos longos com muito gelo por cima. Engabelado por explicações casuísticas ("é refrescante", "combina com verão") e cosmopolitas ("a receita é de uns amigos franceses"), acabei aceitando com alguma relutância. Se descontarmos o cheiro de perfume vagaba da beberagem, algo assim como um Van-Ess versão 2004, a aparência até que prometia, âmbares e amarelos cintilando rútilos à luz do astro-rei. Além disso, não havia outra bebida gelada num raio de 27 quilômetros, ou seja, o esquema era pegar ou largar. Depois de uma jarrona de um litro e meio do troço, comecei a sentir uns comichões esquisitos, uma vontade de sair saltitando, banhado pelo sol, e colher flores imaginárias no relvado idem, conversar com animais e plantas e ajudar o próximo, mesmo que ele estivesse a longínquos 27 km. Tava na cara: o líquido havia me transformado num cruzamento de Julie Andrews, Doutor Doolittle e Amélie Poulain. O antídoto, uma garrafa de Teacher’s (sic) comprada às pressas num mercadinho praieiro de quinta, demorou algumas horas para surtir efeito. Para os incautos, fica o aviso: na dúvida, preservem seus fígados de combinações gaulesas suspeitas.
08:45:34 - Zeno -

26 Fevereiro

São Mateus era twitteiro

Arrumação de livros em casa. Sai da prateleira um livrinho de provérbios em alemão, “Geflügelte Worte” (literalmente: “palavras aladas”), organizado por Georg Büchmann e sucesso nos asilos e nas casas de velhinhos alemães desde pelo menos a década de 60 do século 19 (marromenos o equivalente do nosso Magalhães Junior e seu dicionário de provérbios, ou então um Câmara Cascudo com mais cerveja e salsichão). Como os ditos e citações estão em ordem cronológica (só pra se ter uma idéia, a última entrada, nesta edição atualizada, é a explicação da expressão “Cortina de Ferro”*...), a coisa toda começa com a Bíblia e suas passagens mais conhecidas. Aí leio:

“Ninguém pode servir a dois senhores”
“Não jogue pérola aos porcos”
“Procure e encontrarás”
“Quem não está comigo, está contra mim”
“Um profeta não é reconhecido em sua própria terra”

, e assim por diante, todas assinadas pelo mesmo autor, Mateus, e rascunhadas em seu evangelho com menos (muito menos, aliás) de 140 caracteres cada.

Lôco, né?

(* com o seguinte comentário: “a expressão ‘cortina de ferro’ foi utilizada pela primeira vez por Goebbles, no jornal Das Reich, em 25/02/1945. Mais tarde, em 05/03/1946, Churchill a tornou popular, num discurso no Westminster College, em Fulton (EUA): ‘An iron curtain has descended across the continent’”. Hipopótamo Zeno também é cultura. Um país se faz com homens, livros, blogs e o Pinto reclamando dos serviços públicos desta cidade. Doe sangue – Pelé doaria.)
08:23:47 - Zeno -

04 Novembro

Travel & Living no Hipopótamo Zeno Channel

Por DJ Mandacaru

Se valer impressão de 20 anos atrás, fecho com o Pedro.

Éramos três casais em dois bugs dispostos a fazer o roteiro Fortaleza-Natal. Pela praia. Uns doze dias de viagem, com algumas paradas pelo caminho. Chegamos em Icapuí no terceiro dia, com o sol quase se pondo, uma das imagens mais lindas que eu já vi. Um dos caras descobrira a praia seis meses antes. Fotografou - e ficou amigo de - todo mundo. Nessa viagem ele levava as cópias, para muita gente do local era a primeira vez que se viam em retratos. Um pescador amigo cedeu sua casa - quarto e sala, com armadores suficientes para penduramos nossas redes - e mudou-se para a casa da mãe.

Durante os dias, ócio na varandinha da casa, a uns dez metros do oceano (maré cheia), cerveja gelando num isopor, cana da boa. A meninada, excitadíssima com os estrangeiros, se encarregava de pegar mexilhões brancos e lagostins, que eram imediatamente levados à panela, numa fogueirinha ali do lado. De tempero, só limão e sal. Quando cansavam de brincar de pescar para os novos amigos, ajudavam as mães, na varanda ao lado, a fazer toalhas de renda, gigantescas, o tecido sendo pacientemente desfiado e fiado novamente, com desenhos intrincadíssimos, ou simplesmente começavam uma outra brincadeira, com aquela energia inesgotável que um dia já tivemos. [Leia mais!]
17:41:28 - Pinto -

03 Abril

a SUDERJ informa: ainda 999

Domingo, 4 da tarde. Sem ingresso, mas com esperança. Entorno do Maracanã tomado, indício das sessenta mil pessoas que apareceriam por lá pra dizer alô. Bilheterias fechadas. Boatos de que a de número 8 ainda teria "ingresso pras cadeiras especiais", 80 pratas, uma pechincha pra poder entrar Nela, a História. Nova modalidade de prática esportiva, a Volta Olímpica pelo lado de fora do estádio, em busca de ingressos ou de cambistas. Não havia um mísero, nem dos primeiros nem dos segundos. "Este país vai mal, quando até os cambistas desaparecem", foi o justo veredito. Romário, informado da ausência de nossa equipe de reportagem no estádio, toma a difícil decisão de desperdiçar as futuras três chances que terá ao longo do jogo. Uma alma caridosa lembra do pay-per-view de um amigo botafoguense. "Vamos?", e meu passado de simpatizante do João Saldanha e meu presente de simpatizante do Bebeto de Freitas e dos textos do João Moreira Salles sobre o Botafogo diz "Lógico!", com a dor no coração de abandonar o palco repleto de almas vascaínas esperançosas que celebravam o Dia R com cerveja, churrasquinho e urina. "By the pricking of my thumbs/Something wicked this way comes", e veio mesmo, sob a forma do 10 do Botafogo, tal de Zé Roberto, que resolveu homenagear o Garrincha e fez a defesa do Vasco procurá-lo até hoje, terça, em vão. Os injustos dois a zero (cinco seriam de bom tamanho) foram um brinde aos amigos generosos que receberam em casa os repórteres do blog e explicaram tintim por tintim porque o Botafogo é, tipo assim, o time mais metafísico do futebol brasileiro. Quarta, amanhã, jogam Vasco e Gama pela Copa do Brasil, com a partida transferida de São Januário para o Maracanã por conta do milésimo. Nossa equipe de reportagem, infelizmente, não estará lá. Que fará Romário? Respeitará nossa nova ausência?
21:02:10 - Zeno -

30 Maio

Barcelona e Manchester United em 3D

Vamos pular a parte do texto em que se defende o futebol nacional, em que se conta mais uma mentira sobre aquele jogo na Rua Javari, na década de 70, em que se discute a empolgação do XV de Novembro de Piracicaba naquela decisão contra o Palmeiras, com golaço do Jorge Mendonça. Vamos pular também considerações sobre essa esquisitice de molecada dos dias de hoje, que conhece a escalação + banco de reservas do Arsenal, do Sevilla, do – valha-me – Schalke 04. O que interessa: levei as três gerações, filho de 9 anos, pai de 47 e avô de 76, para conferir no sábado o tal futebol em 3D, Cinemark do Shopping Eldorado, primeira transmissão ao vivo de uma partida de futebol com aqueles óculos desajeitados, final da Copa dos Campeões da UEFA. Meus amigos, foi do grand caray. Primeiro, por conta de ver um jogo numa tela daquele tamanho. Segundo, porque o efeito do 3D, embora funcione marromenos quando a câmera abre, é sensacional nas tomadas em detalhe. Quarto, porque vende cerveja (!) dentro da sala de cinema, acho que por conta do patrocínio da Heineken (o que suscitou gritos de entusiasmo da platéia quando a informação foi anunciada, além de pedidos mais heterodoxos: “Vinho!”, “Uísque!”, “Garotas Semi-Nuas!”). Quinto, porque gerou piadas diferentes das de campo, “Pô, o Kleber do Palmeiras é melhor que esse Rooney aí!”, “Esse estádio de Wembley não lembra o Parque São Jorge?!”, e a melhor delas, “Chupa, Unicef!!”, quando saiu o gol do Manchester. Sexto, e mais não precisou, porque foi um jogaço, um espetáculo de um time iluminado como poucas vezes vi. Sétimo, vai, de lambuja, porque a cara do meu filho, consciente de estar bancando o pioneiro num troço tecnológico que ainda vai render muito pixel, essa, meus camaradas, não tem preço.
11:01:21 - Zeno -

26 Novembro

Bares da Vila Olímpia

A filial brasileira do Triângulo das Bermudas existe e fica situada na Vila Olímpia, na esquina da Atílio Innocenti com Jesuíno Cardoso. Não há Dante que descreva aquilo. A maior concentração de babacas de estrita observância por metro quadrado, superando em muito os limites estipulados pela Saúde Pública para aglomerações desse tipo. Alguém poderia protestar: "Pô, minha tia mora ali por perto!". Como na piada da cidade pequena com putas e jogadores de futebol, nós diríamos: "Foda-se!". [Leia mais!]
10:44:51 - Zeno -

23 Setembro

Dez anos de Hipopótamo Zeno

Outra seção antiga da casa, a de resenhas de restaurantes, vulgo "... ou então miojo", andava carente de atualização. Inaugurado uns meses atrás, o tal Brera merece uns pitacos favoráveis. É uma casa de panini, ou seja, só serve sanduíche. Tem cerveja italiana, a tal Moretti, também conhecida como "na Itália tem muita porcaria também". Os preços são camaradas, dez pratas o panino pequeno, 20 o panino parrudo acompanhado de salada. Mas qual o motivo da recomendação hipopotâmica? Os frios, meu camarada, os frios, são todos importados. Malandro, se tu acha que aquela gororoba do Mercado Municipal merece algum elogio, cê não sabe o que é morder um sanduíche de mortadela italiana e sair correndo pro abraço com o mestre salumeiro responsável pela iguaria. Se a mortadela é de chorar, outras lágrimas têm de ir para a bresaola, para o prosciutto crudo e cotto, para o salame, etc etc. Fui até apresentado a um tal fiocco di prosciutto, curado a partir da parte mais magra do presunto, que é tão sutil que precisei de três sanduíches para uma correta avaliação. Três, aliás, ou quatro, ou mesmo cinco, é a dica pra apreciar o lugar: peça os panini no tamanho pequeno, pra mó de variar sabores e combinações rumo ao nirvana.

Brera, me informa a Wikipedia, é um bairro de Milano, aparentemente chic e descolado. A julgar pelos donos do lugar aqui em SP, todos veramente italianos e que ficam zanzando pelas mesas com ar chic e descolado, camisa (pra dentro da calça) com dois ou três botões abertos a mais do que recomenda a ABNT, eu diria para as moçoilas tomarem cuidado com as investidas. Mas pode ser impressão de primeira visita. Ou não.

Aqui, algumas resenhas divertidas do Trip Advisor, com os italianos de passagem por São Paulo pulando de alegria com a novidade.
09:33:22 - Zeno -

09 Fevereiro

Bueno

Barzinho estilo balcão, apertado como ele só, habitualmente freqüentado por lutadores de sumô, na Galvão Bueno, donde o nome eufônico em múltiplos idiomas. Lugar ideal para você que não se preocupa com peso. Primeiro pelo risco do pisão de um lutador de sumô no seu pé, algo traumático de per si —e olhe que você não vai poder revidar nem mesmo fazer cara feia. Segundo porque lutar sumô até deverá lhe abrir o apetite para aquelas comidinhas, mas comer aquilo decididamente não lhe dará vontade de lutar sumô.

Esqueça a idéia do inocente peixinho cru japonês. A porta corrediça de madeira dá acesso instantâneo à Tóquio de hoje: costeletas de porco à moda de Okinawa, abundantes em gordura e sabor (as moléculas de sabor concentram-se na gordura, que Deus é um cara que detesta prazeres), berinjelas cozidas em shoyu, espetinhos de tudo de frango, inclusive, e principalmente, a pele, salada (?) de ovo, pepino e cebola embebidas em maionese caseira, línguas grelhadas na hora. Tudo delicioso. E, diferentemente de Tóquio, muito barato. Uma festa para seu paladar, fígado e consciência, em especial se você aceitar a companhia da cerveja geladíssima ou de doses de Suntory ou saquê. A ambientação cultua um ídolo do J-pop, estilo cujo nome felizmente me foge. As paredes são coalhadas de cartazes do moço em várias ocasiões, inclusive naquele show em que ele adentra o palco montado numa Harley, cofrinho à mostra. As TVs reproduzem vídeos do sujeito, mas é coisa que incomoda menos que axé music, por exemplo.

O Bueno é uma experiência imperdível. Até porque um bar assim, despretencioso despretensioso e incógnita, com um logo bacana como este, deve ser visitado mesmo, seja por etnografia de campo, atração boêmia ou mero tributo ao design. Detalhe: vizinho de parede há um outro do gênero, especializado em udons, que quando esse calorzão passar corre o risco de ser resenhado aqui.

Nota: 9 graals, ou poderiam ser 9 miojos.
10:00:00 - Pinto -

09 Junho

Êêêta esquadrão de ouro

Pra que não digam que este blog está alheio à Copa, ah, ímpios, nós que acompanhamos até Togo e Suíça, sério candidato a jogo mais modorrento do torneio, reproduzimos a seguir tradução resumida da sensacional matéria publicada no Frankfurter Allgemeine de hoje (no link, a matéria completa – e antes que perguntem, não, o texto não é de gozação):

Febre futebolística: o que um empregado pode e não pode durante a Copa?

Pergunta: Meu chefe é obrigado a me dispensar, caso eu tenha conseguido os difíceis ingressos para os jogos?
Resposta: "Não, ele não é obrigado", segundo Gregor Dornbusch, advogado de direitos trabalhistas na Baker & McKenzie. Apesar de o trabalhador ter direito a férias, se estas comprometem o funcionamento da empresa, o empregador pode suspendê-las. Imagine se metade da empresa decidir que quer dispensa para ver os jogos – não é possível.

Pergunta: Posso assistir às transmissões pela TV?
Resposta: Situação difícil. Juristas da área são unânimes em afirmar que a transmissão compromete o desempenho profissional. Só se o seu chefe se dispor a abrir exceção.

Pergunta: Cabe uma cerveja?

Resposta: "Depende", afirma Dornbusch. Se o consumo de álcool não for normalmente proibido na empresa, nada contra uma cervejinha (Bierchen! nota do blog...). Em escritórios que costumam comemorar aniversários com brindes de champagne, tudo bem – mas mantendo o bom-senso. Cuidado com bebedeiras: são justa causa para demissões.

Pergunta: Posso ir trabalhar vestindo uma camisa de futebol?
Resposta: O que regula é o bom tom na vestimenta. Se é o caso de ser discreto, não cabe aparecer no escritório vestindo uma camisa da seleção brasileira. Mas normalmente os chefes fazem vista grossa. Se você trabalha em salas distantes e não se relaciona com clientes, é mais fácil do que para um caixa de banco.

Pergunta: Posso organizar bolões para meus colegas?
Resposta: Em princípio, sim. A participação ou não em apostas é voluntária, e o bolão não é um jogo de azar proibido. Quem quiser fazer a coisa mais correta, porém, deve organizar as apostas no horário de almoço ou após o expediente.

(crdt: nena)
18:52:19 - Zeno -

02 Março

Onde a pata toma

Não obstante as aleivosias do Pinto, prenhes de conotações zoofílicas, o tio DJ Mandacaru comparece frente a essa distinta platéia para relatar expedição momesca à Serra Gaúcha (grotões tedescos), com o objetivo principal de descobrir o pato perfeito (não, Pinto, Genoíno é outro assunto).
O epicentro da região é a cidade de Gramado, perfeita para foliões convictamente desanimados como o locutor que vos fala. O auge da festa – pelo que pude testemunhar – durou exatos quinze minutos, tempo que um bloco de carnaval levou para atravessar a rua Coberta.
O primeiro pato foi traçado no St. Gaartens, com molho rôti e purê de batatas e ficou na base da pirâmide, com no máximo 7 Graals. O segundo infeliz já alçou novos patamares: no St. Hubertus, com molho de cerejas, delicioso mesmo para quem não gosta de misturar salgados com doces, 9 Graals. O terceiro, no simpaticíssimo Bistrot Brillat, centrão da cidade, na tal de rua Coberta. Aliás, o Brillat é “o” lugar pra quem gosta de ficar caneando e observando o grande espetáculo da raça humana indo pra lá e pra cá. O Brillat nos serviu um confit de pato, que estava no mesmo nível do St. Hubertus e,portanto, leva o mesmo número de Graals.
O quarto e último pato abalou profundamente as convicções atéias do DJ Mandacaru. Se existe, o Grande Cozinheiro do Universo estava fazendo bico no Edelweiss na terça-feira de Carnaval. Uma receita clássica – pato com molho de laranjas – elevada à categoria da perfeição graças a uma execução impecável. 10 Graals, só porque esse é o teto da escala. A bela donna que divide, entre outras coisas, essas expedições comigo há trinta anos, pediu um chucrute garni*, que incluía um kassler grelhado como nunca havíamos experimentado. Para beber, a cerveja Coruja, fabricada artesanalmente em Teutônia, casco escuro de 1 litro parecido com aqueles vidrões antigos de farmácias de manipulação.
De se lamentar em todos esses restaurantes, apenas a feia mania de triplicar o preço dos vinhos em relação ao seu custo no varejo.

*Ao contrário do Zeno, alemão não é minha língua
mater; mete a mão aí, seu Editor.
17:21:43 - DJ Mandacaru -

13 Julho

Uma paixão nacional

Como a gente não paga direito autoral pra ninguém (sem mencionar água, luz, gás, telefone e demais serviços, numa atitude de oposição ideológico-orçamentária às privatizações da década passada), podemos fazer novamente o que fazemos melhor e roubar uma crônica de Luis Fernando Veríssimo, publicada no longínquo ano de 1999 (crdt sil):

Ela disse:
- Você me ama mais do que tudo?
E ele disse:
- Amo.
- Paixão, paixão?
- Paixão, paixão. - e reforçou - Mesmo.
- Mais do que tudo no mundo todo?
- No mundo todo e fora dele.
- Não acredito.
- Faz um teste. - Diz ele confiante. [Leia mais!]
09:14:37 - Zeno -

17 Outubro

Cantina do Instituto Goethe/SP

Pra compensar os malefícios sofridos no tal Old Vic Pub resenhado abaixo, achamos por bem revelar aos nossos leitores um dos segredos etílicos mais bem guardados desta cidade. Começando com um jemesouveio rápido, ou, no caso, um ich-erinnere-mich: em meados da década de 80, quando o diabo era menino e ainda não falava alemão (apesar da existência anterior dos dois Faustos, do Goethe), a cantina era tocada por uma figuraça, Frau Alvina, uma senhora robusta cujo marido, Herr Ernst, era o zelador do prédio. Frau Alvina fazia pães sensacionais, coxinhas e bolinhos inesquecíveis e tinha a suprema gentileza de deixar um engradado de cerveja gelada do lado de fora do bar, pros alunos bebuns que saíssem da aula depois do fechamento da cantina. Mais tarde, com a aposentadoria merecida da Frau, o bar passou por mãos mais ou menos experientes, com resultados desiguais, até chegar à atual arrendatária, a multifuncional Lucinéia, dona também da livraria que abastece os alunos com a sabedoria das letras em Fraktur, vulgo góticas (ou seja, além de beber o sujeito pode sair mais culto do que entrou, o que, em se tratando de bar, não é assim tão comum).

A seleção de cervejas, como se poderia supor, é bem mais variada que a média, incluindo aquela weissbier bávara que dá pra cortar com faca, tal de Paulaner. Os petiscos são de primeira, e o glorioso Zito, responsável pelo atendimento, já é patrimônio do Goethe por tempo de serviço (ele começou lá, passou depois por restaurantes alemães do Brooklyn, onde aprendeu um steak tartar irreprensível, e mais tarde foi resgatado, ou melhor, intimado a voltar). Como a cantina fica no átrio do Instituto, um prédio que era um convento de carmelitas antes do atual inquilino, há muitas e deliciosas mesas ao ar livre - que, naquela década longínqua mencionada, eram de madeira, trocadas mais tarde por umas horrorosas de plástico, mas agora a madeira voltou de vez pra ficar. Nos últimos tempos, inventaram uma cobertura de telhas estapafúrdia que desagradou a todos. Com a benção do Johann Wolfgang, esperamos, ela será devidamente defenestrada em menos tempo do que você levaria para pronunciar Sehenswuerdigkeit des Stadtteils Pinheiros (já há uma movimentação dos alunos para tal). Como P.S. antecipado, e pra que não digam que uma dica de cantina de escola é absurda, fica registrado que o Instituto Goethe de Salvador, também instalado num antigo convento, tem um bar quase tão charmoso quanto o de São Paulo. O único senão é a milhagem, claro.

Nota: 10 Graals (pela primeira vez, aqui no blog?)
15:58:55 - Zeno -

21 Março

Seu prestígio em polegadas

Nós sabemos como é difícil. A pressão publicitária, principalmente no setor de eletrodomésticos, é massacrante. Todos os dias, no rádio, na TV, no jornal, na capa da principal revista semanal do país, nos cartazes dos ônibus e metrô, em todos os lugares há um anúncio coloridíssimo mostrando as benesses das TV's de plasma a módicos nove mil reais ("e está baixando!", dizem seus amigos) e das LCD's, um pouco menores, a minguados sete mil. Sua mulher, a bem-intencionada, agita feliz um folheto com a promoção da videolocadora, que dará um ano de locações grátis se você comprar a nova TV com eles ("não é incrivel, a TV sairá uns dois mil reais mais barata!", e você pensa que existe uma realidade alternativa em que as pessoas gastam dois mil reais por ano nisso).

Você chega em casa, olha pra sua TV de 14 polegadas, menor que o monitor de um PC da década de 80, e se vê num beco sem saída. Como fazer para contentar mulher, amigos, seu gerente do banco, o mercado publicitário, os fabricantes e, mister confessar, seus próprios desejos?

Meu amigo, seus problemas acabaram! Hipopótamo Zeno, em mais um momento Tabajara, tem a solução que contempla todos os bolsos e que, sonhamos, será adotada pelo Governo Federal assim que a poeira da discussão do formato digital baixar. Nosso econômico lema é: "Aproxime Seu Sofá!". É muito simples, com pouco investimento tecnológico e pode ser feito mesmo por mão-de-obra não-especializada. Aplicável a diferentes layouts de sala, permite também que você mesmo escolha o tamanho da sua TV conforme seu coração mandar a cada dia, uma espécie de regulagem pixel-sentimental: "hoje sinto-me um sujeito 52 polegadas" – sem problema, basta puxar os centímetros correspondentes e fazer os ajustes necessários; "meu bem, não quero que você veja a sirigaita do Big Brother com este tamanhão de tela!" – certo, certo, aumente a distância corretamente e encolha a dadivosa.

A campanha "Aproxime seu sofá!" vem com uma tabela cientificamente elaborada por nossos engenheiros com a correspondência Centímetro Arrastado/Polegada da Tela, levando também em consideração outros fatores como largura do sofá, textura da superfície onde se dará o arrasto, resistência dos pés do sofá, cálculo de atrito, densidade atmosférica, luminosidade, o que fazer com a mesinha de apoio da cerveja, etc, etc.

É com o gáudio e a modéstia de sempre que esperamos estar contribuindo (alô, meninas do telemarketing!) para seu conforto e sua economia, nestes tempos de crescimento de PIB tão pequeno e aspirações tão grandes.

Obrigado.
Equipe Hipopótamo Zeno, subsetor Tecnologia.
O Brasil é de Todos. Uma polegada sozinha não faz revolução. Fale com seu médico. Pelé falaria.
11:46:01 - Zeno -

05 Dezembro

O problema do álcool

(mais uma vez, o assunto predileto deste blog, com a contribuição de fôlego e d’além-mar do gajo Miguel Esteves Cardoso – crdt carlão)

Cada vez que ouço falar no problema do álcool - e cada vez ouço mais - assola-me o desejo sincero de beber um whisky. Na verdade, parece-me uma leviandade falar no álcool como um problema. Fossem todos os nossos problemas como esse! (Muito mais grave que o problema do álcool, por exemplo, é o problema da sede.)

Ninguém duvide que o álcool é o lubrificante essencial da máquina social portuguesa. Sem whisky não haveria decisões financeiras ou políticas. Sem vinho não haveria jornalismo. Sem cerveja não haveria música pop. Sem bagaço, o proletariado português, que vive miseravelmente mas ainda não reparou, há muito que se tinha revoltado. O bagaço é a única força viva que faz frente ao PCP. É a única coisa entre nós e o caos.
[Leia mais!]
09:42:09 - Zeno -