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Resultado da procura

12 Maio

Huevo Morales© e Garotinho, juntos!

Eggs Beneditinho


(crdt: o danado daniel paz, como siempre)
(©: ao Pinto o que é do Pinto)
14:27:14 - Zeno -

24 Agosto

Óleo de peroba

Coluna do Luís Cacife, Fôia de hoje, grifos por conta da casa:

"Palocci integrou o grupo dos pragmáticos do PT que operaram em Santo André, Ribeirão Preto e outras grandes cidades, sim. Indicado ministro da Fazenda, imbuiu-se da importância do cargo, da relevância de sua atuação para a estabilidade do país. Afastou-se de todos os esquemas, manteve profissionais à frente de todos os cargos relevantes da Fazenda. Ganhou grandeza."

Parece a célebre homilia de Padre Cícero aos jagunços: "Quem roubou não roube mais, quem matou não mate mais". Ou então é algum trecho do Pollyana moça, que ora me foge da memória.

Tudo bem? Então depois não vale reclamar do Daniel Bancas, nem do Diogo Mimordi...
11:31:13 - Pinto -

02 Agosto

Não somos nós que estamos dizendo

Aspas: Capitu — O Daniel Piza, em seu site, diz o seguinte:

a ficção nacional sempre soa como uma espécie de memória disfarçada, uma crônica rarefeita e emotiva, parasitária de alguma influência mal digerida. Os personagens nunca deixam de ser autobiográficos; o estilo sempre está a reboque de outro. Não se explora a língua nem em seu potencial de pensamento nem de percepção. (texto completo)

Como você liga sua poesia à sua própria intimidade e que isso é uma característica da literatura contemporânea, como você comentaria essa "provocação" do Piza?

Nogueira —
Esse rapaz escreveu uma biografia com muitos erros sobre Machado de Assis, parece que o fizeram recolher o livro — vamos deixá-lo descansando em seu jornalismo cultural? Fecha aspas.

Mais sobre o olhar oblíquo e dissimulado de Lucila Nogueira e da pisa que deu no Piza aqui. Lembre-se de deixar "esse rapaz" "descansando em seu jornalismo cultural" ao ler sua coluna de hoje.
09:00:00 - Pinto -

18 Março

Fomos clonados!

Demorou, mas aconteceu. Veio junto a notícia que Daniel Piza irá a Sorbonne falar de Machado de Assis —veja como a Providência é irônica—, mas veio.

Tiago Canuto pensa igualzinho a nós.

Einstein (?) dizia que, dispondo de tempo e de uma máquina de escrever, um chimpanzé escreverá a Bíblia —desde que saiba datilografar, acrescentaríamos. A boutade (maudade?) não vem para insultar, mas para sublinhar que coincidências são, sim, possíveis. O que não é, definitivamente, o caso.

Feio, Tiago, muito feio! Picasso dizia que o grande artista começa copiando os gênios até finalmente encontrar o seu. Se isso for verdade, amigo, parta com urgência para copiar outras pessoas: aqui você corre o risco de se consumir esfregando a lâmpada sem achar gênio algum.

Ou então faça como nosso velho amigo, seu Sidney da Ultrafarma (que nunca mais nos escreveu, aliás...), e encha as burras vendendo genéricos com até 90% de desconto, mas citando a fonte.
15:44:15 - Pinto -

08 Fevereiro

Respiro

Pausa para uma entrevista iluminada com o diplomata e crítico André Corrêa do Lago, numa bela edição domingueira do Estadão em que o debate sobre arquitetura ganha escala, se me permitem a metáfora temática —até um artigo de Daniel Piza omitiu a primeira pessoa do singular e desceu palatável (a coluna de Insônia Racy, não, esta permanece o lixo habitual. Mas digressiono). Aos trechos:

Como o senhor definiria a arquitetura do prédio da Daslu?
Não é arquitetura. Com boa vontade , é arquitetura errada. Quer fazer um prédio neoclássico, tudo bem, mas não esqueça que o classicismo tem regras precisas. Tem que saber onde colocar as colunas como usar os elementos decorativos etc. É o caso do sujeito que acha que entende a língua mas só conhece palavras, e não a gramática. Daí sai dizendo "casa", "cachorro", "pedra", "raio". E palavras soltas não fazem sentido. Arquitetura é linguagem.

(...)Um grande edifício não pertence nem ao arquiteto nem àqueles que o construíram. Pertence às milhares de pessoas que o veem. Porque faz parte do cotidiano delas. Levando isso em consideração, o Brasil deveria melhorar suas decisões. Esse conjunto indescritível erguido aí em São Paulo, prédios de luxo grudados num shopping center, é um caso exemplar: por que nós teremos de olhar para aquilo pelo resto das nossas vidas?


Como dizem por aí, o Itamaraty não improvisa. ?
10:59:30 - Pinto -

01 Março

Cine Torrent News Update

Estou com o cabôco Rubens Ewald manifestado aqui (antes ele que o exu do Zé Wilker) e tenho a declarar o seguinte, zinfios:

1. O que achei de Slumdog Millionaire, e não consegui expressar direito, a sempre acima de média Ana Paula Sousa, da CartaCapital, escreveu esta semana: tem graça na primeira metade e depois vira refém da própria fórmula. Um aceno política e economicamente correto para a Índia, com direito a média com a muçulmanidade. Sempre me lembro de Bhopal nessas ocasiões. No entanto, a trilha sonora não sai da minha eletrola. Alá é grande e A. R. Rahman vai para o trono.

2. Kate Winslet, abençoados sejam seus seios naturais, já disse a Oprah, mas atriz mesmo é Meryl Streep, em Dúvida e sem dúvida. A eterna mocinha do Titanic levou porque O Leitor, filme por filme, é superior ao primeiro, um enredo chochinho que funciona como pretexto de boa direção, fotografia e caracterização de época, e terreiro para dois cavalos-de-santo: a dita Streep e Philip Seymour Hoffman. Kate, vista a roupa, meu bem.

3. Valquíria tem um mérito. Não deixar mais dúvida sobre a canastrice cientológica e antológica de Tom Cruise, só não superada pelo rapaz que faz o Hitler e, como o próprio, deve ser condenado ao desprezo perpétuo. Como filme até que empolga, mesmo sabendo-se de antemão que é o mocinho, e não o bandido, quem morre no fim.

4. Milk, não. Sean Penn. Per brindare a un encontro... Cavalo-de-santa, no caso. Ou de Sant. Gus Van Sant. Belo filme. Mas Frank Langella em Frost/Nixon, outro obliterante caso de entidade mediúnica, também vale a vista e os confetes. Pode não ter todo o glitter lácteo, mas ainda conta com o ar da graça de Rebecca Hall, ladies and gentlemen.

5. A propósito, O casamento de Raquel é Johnathan Demme tentando ser Bergman. Prefira sempre o original sueco, mas eis aí um belo roteiro e uma direção exímia. Somos discípulos de Anne Hathaway como fomos de Debra Winger, de quem a idade não cobrou tanto pedágio quanto as rodovias paulistas cobram de mim. Rosemarie DeWitt, a personagem do tíulo, tem uma semelhança tão grande com a Debra Winger dos áureos tempos que seria o caso de um Oscar para a categoria casting. Fica a sugestão para a Academia.

6. Wall-E. Aquilo mesmo foi feito pela Disney? Preciso rever meus conceitos. Uma semana nos parques da Flórida não me faria mal.

7. O ninho vazio, do nosso nunca, jamais devidamente festejado Daniel Burman,que não larga mão do seu xará Daniel Hendler, agora como co-roteirista. O casal não foi convidado para a festa do Oscar sabe-se lá por quê, mas o filme é tão bom que, a alturas tantas, quando vai ficando ruim, volta num átimo a ser muito bom. Cecilia Roth é minha pastora, nada me faltará.

8. Forrest Benjamin Button. Tenho preguiça até de escrever o título inteiro, que dirá de ver a película.

9. Instado por um amêgo meu, vocês não conhecem, não —e falando em sueco—, vi Let The Right One In e em verdade vos digo: apesar do final um tanto démi-bouche (com os caninos de fora), não tem Crepúsculo que o ofusque. Vampiro sangue bom é ali. Kåre Hedebrant é a mais bela face masculina do cinema escandinavo desde Björn Andrésen e seu Tadzio de Morte em Veneza, de 1971 —e veja lá que a concorrência não tem sido mole. E essa menina Lina Leandersson é o que antigamente se chamava de monstro das artes cênicas, com duplo sentido.

E agora, se me dão licença, vou ali cantar pra subir.
00:46:35 - Pinto -

30 Abril

Chico Buarque no jazz


Quem me chamou a atenção foi o meu amigo Flavim: o pianista que está tocando com a Lea e o Gil naquele vídeo é o Edsel Gómez, portoriquenho que morou anos aqui em Sampa e que promovia jams memoráveis no seu apartamento de Higienópolis.
O Edsel é um espanto. Começou aos cinco anos, imitando os estudos de piano clássico da irmã. Aos 18, estava na Berklee, de onde saiu quatro anos depois para o circuito jazzístico de primeira linha.
Em 1987, atraído pela música e pelo charme, veneno e beleza de uma mulher brasileira, mudou-se para o Brasil, onde viveu pelos dez anos seguintes.
O disco que vocês podem baixar do armazém é o seu primeiro: Edsel Gómez - Celebrating Chico Buarque de Hollanda, uma mirada jazzística na obra de um cara, que olhando assim de primeira tem pouco a ver com jazz.
Como dizem os bookmakers da Globo: confiram no próximo bloco. [Leia mais!]
04:44:32 - DJ Mandacaru -

23 Julho

Explicando melhor a Bernadette Peters

14:22:52 - DJ Mandacaru -

26 Maio

Circuito Cultural Hipopótamo Zeno

Hipopótamo Zeno vai a concerto!

[Rabiscos para um texto futuro] Daniel Barenboim e a Orquestra da Staatsoper de Berlim. Conversa com o taxista, no caminho: "O senhor teve problemas com o trânsito hoje, por conta da Parada Gay?", "Não, tranqüilo, quase tanto quanto o Morumbi, hoje à tarde", "Morumbi?", "É, só cinco mil sãopaulinos foram ver São Paulo e Coritiba. Os outros 55 mil estiveram aqui, na Parada". Caray, como essa Sala São Paulo é bonita. Na platéia, muito dinheiro pesado, juntamente com os "formadores de opinião". Primeira parte do programa, Wagner, todos de prontidão para invadir a Polônia. Abertura dos Mestres Cantores, e eu penso que essas orquestras alemãs de primeiríssimo time têm sempre cordas de arrepiar. Metais e madeiras, aqui, menos impressionantes. Segunda parte, Tristão, Prelúdio e Morte do Amor, e aí o céu é o limite, tudo perfeito, o primeiro tema começa a ser enunciado e a sensação é física, sempre a mesma, será que já se escreveu música mais divina do que esta? Não sei quantas versões com orquestras e regentes diferentes já ouvi, mas sempre me lembro mais (e uso meio como metro) de uma do Solti com a Filarmônica de Viena. O Barenboim saiu-se muitíssimo bem na comparação. Intervalo, depois Bruckner e a Sétima. Aí a orquestra faz o que pode, perfeitinha, mas o material é irremediavelmente de segunda. Não dá nem para se preparar pruma invasão do exército austro-húngaro de alguma coisa que eles já não tivessem invadido à época. Primeiro movimento lambão e grandiloqüente, adágio que não parece adágio (tem até pratos e percussão da pesada), valsinha animada no Scherzo e um final em que se testemunha a agonia do elefantão bruckneriano, com aquela vontade-de-ser-Mahler. Nunca tinha visto (nem ouvido) o Barenboim como regente, só como pianista, e o mínimo que se pode dizer é que a partir de um certo patamar de qualidade internacional (e o Barenboim está acima dele), não tem como errar. Bom, tem o Riccardo Muti, mas aí é a exceção que confirma. E o Wagner dignifica qualquer coisa.
13:26:10 - Zeno -

14 Fevereiro

Tudo o que você sempre quis saber sobre Paris, a escravidão no Brasil, a política brasiliense atual e demais mumunhas, mas não tinha ninguém pra perguntar

Eu me lembro, ah, eu me lembro, de nossa primeira visita ilustre ao blog – sem deméritos aos atuais comentadores, valha-me. Num post sobre um artigo do professor Luiz Felipe de Alencastro, em janeiro de 2004, o próprio resolveu visitar o botequim e responder de punho ao texto. Os anos, como sempre, fugiram pelo horizonte e eis que nosso grande historiador, professor da Sorbonne da Cátedra de História do Brasil, resolveu montar seu blog (crédito à menção no número 4 da revista do churrasqueiro com conceito, a Piauí): é o Seqüências Parisienses, de onde retiramos/roubamos duas contribuições: o trecho abaixo e um link sensacional de mapas antigos (já era dele a dica, em 2004, do site com as obras completas do Voltaire):

"Libération é um grande jornal. Mas Libération agoniza. Está ferido de morte pelo noticiário via Internet e pelos tablóides gratuitos. Em São Paulo e no Rio estes jornais grátis não ameaçam a imprensa por razões logísticas ligadas à distribuição [nota da redação: os boatos são grandes na direção contrária, professor]. Contudo, em Paris, onde cada boca de metrô tem pilhas desta praga, os estragos são grandes na imprensa paga. Sobretudo, como acontece no caso que vitima Libération, quando um tablóide distribuído gratuitamente é editado por jornalistas experientes tirados do jornal pago concorrente.
Pertenço à geração meia-oito que, em Paris, compra há décadas o Le Monde (um vespertino) à tarde para entender o mundo de hoje, e de manhã lê Libération para compreender o mundo que vem por aí. Nesta sexta, Daniel Schneidermann, um dos melhores jornalistas de Libération, publica um artigo pungente sobre a crise do jornal. O que será de nós se Libération morrer?"
00:32:30 - Zeno -

18 Outubro

To piauí or not piauí

Dando prosseguimento à série de resenhas de banca de jornal, temos o lançamento da piauí, a revista do churrasqueiro com conceito*. Para usarmos as categorias epistemológicas consagradas pelo mestre Daniel Piza, dividamos (ops) os artigos em três grandes grupos e dois subgrupos:

Gostamos: da reportagem sobre Fidel, do guia turístico da Molvânia, dos quadrinhos do Brecht.

Gostamos muito: das fotos espetaculares do Orlando Brito, do incontornável, mas às vezes preguiçoso texto do Lessa, do perfil do operário que caiu do andaime e do registro do voto do Roberto Jefferson (aliás, a seção Esquina promete ser a melhor dentre as seções fixas da revista).

Não gostamos: do texto do Ian Frazier, do conto do Rubem Fonseca, do papagaio do Pompeu de Toledo, dos quadrinhos do hipopótamo (questão de demarcação de território), do diário da novaiorquina.

Indiferentes: as reportagens do telemarketing e do brasileiro seqüestrado no Iraque, o horóscopo, a macaquinha africana.

Melhor texto da revista: Danuza Leão sobre o estilista Guilherme Guimarães.

E um pitaco sobre a indiferença que alguns textos da revista despertam, mesmo que não incluídos na categoria epistemológica respectiva: talvez pela presença do João Moreira Salles (que escreve bem à beça, diga-se) à frente do projeto, acontece aqui o mesmo problema que acomete boa parte dos documentários vistos nos últimos tempos: a falta de transcendência. Em casos bem-sucedidos, o registro colado, rente aos fatos, recortando em minúcias tal ou qual evento ou série de eventos documentados (pode escolher o assunto, o leque de filmes recentes é bem amplo) produz como resultado algo mais que não o tal registro, um pulo do gato dialético (ops) que alterna imanência (ops) e transcendência, que é mais que a soma dos pedacinhos, que está atento ao objeto mas com uma piscada universalizante e, mais importante, que não permite ao espectador que veja o andaime que produz o tal pulo de uma coisa à outra. Quando não dá certo, ficamos vendo um desfile de irrelevâncias que só na cabeça do diretor ou do autor do texto têm importância, como se aquele amontoado meio paratático de elementos guardasse um significado importante que os citados esperam que brote também na cabeça do espectador/leitor por obra do Espírito Santo.

*crdt cam seslaf
11:14:47 - Zeno -

18 Março

Round up the usual suspects, ou trivial variado

Dois dias se passaram desde o último domingo e ainda faltam mais cinco para o próximo, mas a constatação ouvida recentemente permanece: "A Páscoa chegou mais cedo para os sãopaulinos, depois do chocolate do fim de semana".

Graças à dica do Inagaki, espiamos o novo programa do Marcelo Tas ontem à noite. Marromenos, né? Tudo bem que seja "inspirado" por programa argentino, ainda que nenhum crédito tenha sido mencionado (na Itália, dizem-me, há outro igualzinho, mas com o acréscimo de uma gostosa no time de apresentadores – boa idéia, aliás), mas não dá pra assinar embaixo de programa que chuta cachorro morto, como o bloco com a Gretchen, ou que extrai piada derrubando de sacanagem um jarro de esgoto na mesa do paguá bem-intencionado da Sabesp. No lado dos acertos, trouxe a melhor piada televisiva do ano:
primeiro, imagens de Ronnie Von em seu programa, respondendo a um e-mail de telespectador que indagava se o fato de se sentir atraído por um amigo significava que ele, espectador, era gay. Ronnie, conciso, responde: "Significa", e passa ao próximo e-mail. Aí entra um dos apresentadores do programa do Marcelo e manda essa: "E por falar em homossexualidade, queria mandar um abraço ao meu tio Daniel". Sensacional.

E por falar em Inagaki (alô, Pinto, isso podia virar um bordão, hein?), não sabemos por que raios a gente não fala com mais freqüência de dois dos melhores blogs da rede, dois sujeitos batutas que há tempos vêm carregando nas costas ou em outras partes do corpo menos publicáveis boa parte do debate relevante e irrelevante dos botequins blogosféricos nacionais (e internacionais, no caso do segundo): Milton Ribeiro e Idelber Avelar.

Foi no Milton Ribeiro, aliás, que lemos a info que nosso homem-ônibus Franz também forneceu, de que a idéia de bombar o Google com os links sobre o Nassif veio de uma alma com o céu garantido, o pimpão Bender.

E foi também no Milton que descobrimos só agora (ah, a lentidão punheteira de um hipopótamo) a moça abaixo, Sara Tommasi, que, francamente, meglio silenciar.

Hã, hum, err, ah
09:38:57 - Zeno -

05 Setembro

Melhoridade, o cacete


"È dos carecas que elas gostam mais"

Nem era pra ter nada, não. Corria o glorioso ano de 1986, meu aniversário seria comemorado no fim de semana, era apenas uma segundona, eu já estava de pijama quando um casal amigo ligou. Não, não dava pra passar em branco, a gente tinha que tomar nem que fosse só uma, o Vou Vivendo estaria tranquilo, meia-noite no máximo a gente iria embora.
Olhem, o Vou Vivendo foi o melhor boteco com música ao vivo que eu já frequentei. Ficava na Pedroso de Moraes, tinha dois andares: no de baixo só os manguaceiros; no de cima, rolava o que tinha de melhor em matéria de música. Só pra vocês terem uma idéia (se tiverem duas, mudem de blog), os músicos da casa eram Laercio de Freitas (piano), Heraldo do Monte (guitarra), Arismar do Espírito Santo (qualquer instrumento, baixo, piano, bateria, violão, podem enfileirar). Na retaguarda, o Calixto, cearense de São Benedito, até hoje chefe dos garçons do Genésio. Cuidou da gente, cuidou dos nossos filhos quando eles já tinham idade de ir pra bar, e, pelo jeito, vai cuidar dos nossos netos.
Pertinho da hora de ir embora, o Tio Laercio avisou: o Hermeto estava vindo com o pesoal da The Hendricks Family, a apresentação deles já havia terminado num daqueles festivais de jazz. Custava nada esperar mais um pouquinho.
Bom, o Hermeto chegou com uma das cantoras, tomou uma e já subiu no palco, onde já estavam o Tio (velho amigo dele), o Heraldo (com quem ele já tinha tocado no nunca assaz louvado Quarteto Novo), mais nem lembro quem. Rapaz, a mocinha - profissional americana, vocês sabem como é - quase amarelou. Quando a esculhambação musical começou, ela arregalava os olhos, virava a cabeça prum lado e pro outro procurando um norte, desistiu depois de duas músicas. E os garotos se divertindo no palco, e nós na platéia.
Foi aí que o Tio arregaçou. "Temos aqui no bar, hoje, meu amigo Sérgio, que está aniversariando. Gostaria de convidá-lo pra tocar com a gente".
PENSE NO PÂNICO! (Desculpem, leitores, o ponto de exclamação e as maiúsculas: eles não dão conta nem de milésimos do cagaço que senti). E a malta, incluindo minha mulher e o casal amigo, ajudando a açular. Depois de cinco minutos de negaceios, concordei, com uma condição: "Só se for pra tocar um bolero". Com aquela turma...
Nem vocês, que já implantaram mamárias e safenas, que passaram por cesarianas, que anualmente vão ao proctologista, podem imaginar. Num fiapo de voz, avisei: Tu Me Acostumbrastes.
E me arrastei, penosamente, até o final. Como todos os shows no Vou Vivendo, esse também foi gravado. Até hoje procuro a fita. Mesmo porque ainda faço um certo sucesso em rodinhas de amadores quando comento casualmente que já toquei com o Hermeto. Sempre alguém me pergunta, gravou?

E o lero-lero todo tem motivo. [Leia mais!]
21:49:48 - DJ Mandacaru -